ESCRITOS DO GABRIEL
(Tentar que nossas palavras sejam, através de nós ou, quiçá, apesar de nós.
Meus textos, meus rascunhos com erros... )
"Então, um dia comecei a escrever, sem saber que estava me escravizando para o resto da vida a um senhor nobre, mas impiedoso. Quando Deus nos dá um dom, também dá um chicote – e esse chicote se destina exclusivamente à nossa autoflagelação."
Introdução do livro Música para Camaleões, de Truman Capote.
Meus textos, meus rascunhos com erros... )
"Então, um dia comecei a escrever, sem saber que estava me escravizando para o resto da vida a um senhor nobre, mas impiedoso. Quando Deus nos dá um dom, também dá um chicote – e esse chicote se destina exclusivamente à nossa autoflagelação."
Introdução do livro Música para Camaleões, de Truman Capote.
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sexta-feira, 9 de março de 2012
Esses fantásticos livros voadores
Publico a versão integral do curta de animação que ganhou o Oscar: The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore (Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore), explícita declaração de amor aos livros.
Vamos voar juntos...
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Que livro você é?
Eu descobri que seria "Memórias póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis. O link para descobrir essa identidade literária está no portal Educar para Crescer do Grupo Abril.Na seção de testes você responde a uma série de perguntas que no final sugere um livro que tem a sua cara.
Além do título, o programa também tenta definir sua personalidade. Olha o que deu o meu...(Será?):
Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro... Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade - um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.
"Memórias póstumas de Brás Cubas" (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.
"Memórias póstumas de Brás Cubas" (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.
Quer ver qual livro você é? Faça o teste AQUI e depois me conte...
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Livros publicados no Brasil que falam de outros livros, escritores, livrarias, livreiros e bibliotecas
Num extenso e detalhado artigo sobre "Livros publicados no Brasil que falam de outros livros, escritores, livrarias, livreiros e bibliotecas", Maria de Jesus Nascimento, Doutora em Ciencias de la Información (Complutense, España). Professora do Curso de biblioteconomia e gestão da informação da Universidade de Estado de Santa Catarina, fornece um instrumento norteador do processo de seleção de coleções, capaz de ajudar o bibliotecário a formar acervos com obras que incentivem a leitura e contribuam para formar um país de leitores, com este fim levantou-se uma bibliografia através de busca a esmo, em livrarias, feiras de livros, bibliotecas, sites de livreiros e sebos, entre outros. Os 120 títulos, independentemente do gênero literário, falam de outros livros e de tudo que está relacionado ao mundo dos livros, daí o nome “livros trailers”, pois conduzem a outras leituras.Com muito orgulho, meu livro de 2008, "A culpa é do Livro", foi uma das obras analisadas.
Leia o texto completo AQUI.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Sobre "Meia-noite em Paris" e cada um por si...
Para quem ainda não assistiu (está perdendo...), esclareço um pouco da história para poder entender aquilo que quero destacar.
Gil Pender (Owen Wilson), um ex-roteirista de Hollywood tenta agora ganhar a vida como escritor. Em viagem a Paris com sua noiva Inez (Rachel McAdams) e os pais dela, descobre que a cidade pode lhe devolver sua inspiração: todos os dias, à meia-noite, Gil pode viajar no tempo, a Idade de Ouro em que seus ídolos viveram (como Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald e muitos outros artistas e escritores reconhecidos).
Numa das cenas onde o protagonista volta no tempo, Gil entrega o manuscrito de seu livro para um impagável Hemingway, pedindo para que este o leia, o carrancudo escritor responde de forma prática e realista:
- “Não vou ler. Se for ruim, vou detestar. Se for bom, vou ficar com inveja e detestarei ainda mais”.
Ainda esclarece que não é uma boa idéia mostrar textos para outros escritores esperando alguma opinião, destaque ou divulgação... Parece afirmar a existência de um clima de competição e inveja entre seus pares.
- “Não vou ler. Se for ruim, vou detestar. Se for bom, vou ficar com inveja e detestarei ainda mais”.
Ainda esclarece que não é uma boa idéia mostrar textos para outros escritores esperando alguma opinião, destaque ou divulgação... Parece afirmar a existência de um clima de competição e inveja entre seus pares.
Não tenho como não associar ou lembrar que escritores entregam seus livros, seus "originais”, e outros tantos textos, para outros tantos escritores (alguns afamados, que apenas com sua “benção” já bastaria...), responsáveis por Blogs, sites, revistas literárias, colunas em jornais e afins, esperando possivelmente, alguma opinião, divulgação ou mínimo comentário de “recebi, obrigado”.
Ninguém sabe em que fundo falso está localizada a prateleira destes livros de pequenas editoras, muito menos se algum dia serão lidos. Além das conhecidas “panelinhas” literárias, ninguém existe se publicar fora do eixo, ou não conta com os favores de algum amigo-crítico da imprensa especializada? Aliás, parecem existir cada vez menos críticos literários que também não se dediquem a escrever... E aí, já viu... Sem falar que quando acontece algum destaque, nem sempre a gratidão do escritor aparece. Mas esse é outro assunto extenso e complexo... Aquela gratidão que consegue transformar uma refeição em um banquete, uma casa em um lar, um estranho em um amigo.
Qual será a válida e real separação entre a literatura boa e ruim? Cada um por si e que ela fale mais alto?
Qual será a válida e real separação entre a literatura boa e ruim? Cada um por si e que ela fale mais alto?
Mesmo que a realidade seja outra, assim como destaca Hemingway, a verdadeira escrita (e seu protagonista) parece não esperar a função da mídia, as benesses da crítica, dos amigos, dos leitores, do suposto reconhecimento e prestígio das grandes editoras... Ela se afirma e confirma por aquela “coisa sagrada”, inexplicável para muitos, para quem a considera, por cima de tudo, e independente de divulgação, sua verdadeira condição de existência.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Meus livros na lama
Não vou.
Cada um com seus tesouros de lembranças, de coisas que nada valem para os outros e que guardava como se nada mais importasse... Entre eles, meus livros, minha história.
Já me desfiz da minha primeira biblioteca quando saí de Buenos Aires e vim para o Brasil. Mesmo assim trouxe mais livros que roupas. Acompanharam as diversas mudanças de casas, de idioma, de vida...
Parte se foi agora e não quero lembrar quando, depois de entrar mais de 2 metros de água em casa (na qual não morarei mais...), e de pensar que ter colocado parte deles empilhados em cima ia salvá-los, vi minhas bibliotecas caídas na lama por não ter suportado a força das águas...
Tentei secar, abrir suas páginas gosmentas, tijolos molhados de folhas, pingando lama, lodo e lágrimas.
Existem certas coisas em nossas vidas que tem um selo dizendo: “você só irá entender meu valor quando me perder – e me recuperar”. Não adianta querer encurtar este caminho.
Poderia listar inúmeros bens matérias que também perdemos, mas eles podem se comprar novamente. Borges citava uma frase de Emerson que diz: “uma biblioteca é como um gabinete mágico que está cheio de espíritos que dormem nos livros".
Existem certas coisas em nossas vidas que tem um selo dizendo: “você só irá entender meu valor quando me perder – e me recuperar”. Não adianta querer encurtar este caminho.
Poderia listar inúmeros bens matérias que também perdemos, mas eles podem se comprar novamente. Borges citava uma frase de Emerson que diz: “uma biblioteca é como um gabinete mágico que está cheio de espíritos que dormem nos livros".
Eles se foram... Dormem agora nas águas. Não sei quando voltam.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Torre de Babel de Livros
Na minha recente ida na Feira Internacional do Livro em Buenos Aires , eleita capital mundial do livro 2011 pelo Unicef, acompanhei (e registrei) a inauguração na Praça San Martin (a metros do apartamento onde morou o escritor argentino Jorge Luis Borges), da estrutura de 25 metros de altura da batizada “Torre de Babel de Livros”, da artista plástica pop Marta Minujin.
Foram necessários mais de 30 mil livros para recobrir a estrutura metálica, impressos em diferentes paises, com diferentes idiomas e temáticas. Perto de metade dos livros que serviram de "tijolos" para a construção da torre foi oferecida por 50 embaixadas em Buenos Aires, mas a outra metade vem de doações de milhares de pessoas mobilizadas graças a uma campanha pública para esta "obra de participação maciça", nas palavras da artista, pioneira do maior movimento artístico dos anos 1960 na Argentina, o Instituto Di Tella.
A criadora declarou que o propósito foi ir contra o mito da Torre de Babel, onde os homens tentaram construir uma estrutura para chegar ao céu. Sabendo disto, Deus os fez falar diferentes línguas para a idéia não prosperar. “Quero contrariar esta idéia e que os homens voltem a falar o mesmo idioma. Convertê-lo em dialogo...”, declarou.
Durante uma visita guiada, os visitantes ouvem uma gravação com a palavra “livro” dita em vários idiomas. Após o passeio entre livros, eles recebem uma cópia do conto “A biblioteca de Babel”, do Borges.
Para que a instalação não seja danificada, o Governo decidiu organizar as visitas por grupos. Elas são gratuitas e agendadas no próprio local ou no site da Câmara Municipal de Buenos Aires.
A criadora declarou que o propósito foi ir contra o mito da Torre de Babel, onde os homens tentaram construir uma estrutura para chegar ao céu. Sabendo disto, Deus os fez falar diferentes línguas para a idéia não prosperar. “Quero contrariar esta idéia e que os homens voltem a falar o mesmo idioma. Convertê-lo em dialogo...”, declarou.
Durante uma visita guiada, os visitantes ouvem uma gravação com a palavra “livro” dita em vários idiomas. Após o passeio entre livros, eles recebem uma cópia do conto “A biblioteca de Babel”, do Borges.
Para que a instalação não seja danificada, o Governo decidiu organizar as visitas por grupos. Elas são gratuitas e agendadas no próprio local ou no site da Câmara Municipal de Buenos Aires.
A obra estará exposta ate o dia 28 de maio. No último dia de exposição da peça os visitantes podem escolher um livro na língua da sua preferência e levá-lo.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
De andar para trás
Ainda que Cortazar, em seu impagável Manual de Instruções, do livro “Histórias de Cronópios e Famas” (1962), detalhe que “as escadas se sobem de frente, pois de costas ou de lado tornam-se particularmente incomodas” e minuciosamente explique este procedimento: “...começa-se por levantar aquela parte do corpo situada embaixo à direita, quase sempre envolvida em couro ou camurça e que salvo algumas exceções cabe exatamente no degrau. Colocando no primeiro degrau essa parte, que para simplificar chamaremos pé, recolhe-se a parte correspondente do lado esquerdo (também chamada pé, mas que não se deve confundir com o pé já mencionado), e levando-a à altura do pé faz-se que ela continue até colocá-la no segundo degrau, com o que neste descansará o pé, e no primeiro descansará o pé. (Os primeiros degraus são os mais difíceis, até se adquirir a coordenação necessária. A coincidência de nomes entre o pé e o pé torna difícil a explicação. Deve-se ter um cuidado especial em não levantar ao mesmo tempo o pé e o pé.)”, ele mesmo completa no seu livro posterior “Último Round” (1969), que existem escadas para subir e escadas para descer, acrescentando que também pode haver escadas para ir para trás:
“Os usuários desses úteis artefatos entenderão sem esforço excessivo que qualquer escada vai para trás se a gente sobe de costas, mas o que resta saber nesses casos é o resultado de tão insólito processo...”.
Como também não voltar a lembrar (e associar) que entre as diferentes criaturas literárias e mitológicas concebidas no “Livro dos seres imaginários”, Borges descreve uma curiosa ave, originária da fauna dos Estados Unidos?: “Não esqueçamos o Goofus Bird, pássaro que constrói o ninho ao contrário e voa para trás, porque não lhe importa aonde vai, mas sim onde esteve.”
Escadas e pássaros que andam para trás, parecendo importar-lhe apenas o passado, vendo as coisas regressarem e não se perdendo de vista.
Cortazar explica que é preciso olhar muitas coisas desta forma, subindo para trás: uma boca, um amor, um romance... Mas ele mesmo adverte para tomar cuidado: é fácil tropeçar e cair; há coisas que só se deixam ver quando se sobre para trás e outras que não querem, têm medo dessa subida que as obriga a despir-se tanto; obstinadas em seu nível e em sua máscara, vingam-se cruelmente de quem sobe de costas para ver outra coisa...
Já disse em outro texto que por trás de andar para trás, é o medo da rota pela frente que alimenta a vontade de querer voltar de onde, possivelmente, nunca se conseguiu sair.
Visitar o reino do ignorado exige um voo sem melancolia.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Entrevistas divulgando a Feira do Livro do Alto Vale
(Fotos: jornalista Rafael Beling)
O primeiro dia da Feira do Livro do Alto Vale foi de entrevistas, agradecimentos e muita divulgação para que ela se afirme no calendário cultural da nossa região. A semente está plantada...
Muito público e estudantes prestigiando. Ainda nesta quinta-feira, 19h, haverá uma homenagem a este servidor, por parte da Associação dos Escritores do Alto Vale.
Nesta sexta terá o encontro dos escritores Maicon Tenfen e Carlos Scrhoeder.
Ser seu patrono é, principalmente, representar uma classe com muito orgulho.
A leitura de um bom livro não é um eterno e incessante diálogo? O livro fala e a alma responde... Teremos uma semana de muitos diálogos por aqui.
Que bom!
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Feira do Livro do Alto Vale inicia nesta quinta
(Do relesse oficial)O escritor Gabriel Gómez será o patrono da feira que terá como convidados Moacyr Scliar, Maicon Tenfen e Carlos Henrique Schroeder.
De 16 a 23 de setembro a cidade de Rio do Sul sedia a primeira edição da Feira do Livro do Alto Vale do Itajaí. A abertura oficial acontece às 9h do dia 16, na praça Ermembergo Pellizzetti (local da feira), com acesso livre. A Feira será um espaço onde a leitura e o livro pedem passagem, com contação de histórias, palestras e livros a partir de um real. De Florianópolis, a Livraria Ilha Mágica trará os grandes best sellers e livros que são sucessos de público e crítica, de Balneário Camboríu, a Top Livros traz livros com valores a partir de R$ 1,00, e o mesmo feito promete o estande da Sociedade Amigos do Livro, que vem lá do Rio Grande do Sul com livros para crianças e adolescentes.
Cerca de quinze estandes, divididos entre seis expositores vão trazer a magia da literatura para a praça Ermembergo Pellizzetti, no centro de Rio do Sul. A realização da Feira é da AMAVI – Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí, SESC Rio do Sul, Associação dos Escritores do Alto Vale do Itajaí e Edutranec, com apoio da Câmara de Vereadores de Rio do Sul e da Fundação Cultural de Rio do Sul.
O patrono da Feira é o escritor Gabriel Gómez, por sua contribuição à literatura do vale, e o autor homenageado é Machado de Assis, maior escritor brasileiro. A estimativa de público é de 20.000 visitantes e que 35.000 livros sejam comercializados.
Veja a programação completa AQUI.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Novo livro

Matéria publicada no jornal:
Através de um concurso literário realizado em 2009, 133 poetas e escritores foram selecionados entre cerca de 600 inscritos, para ilustrar com palavras o livro “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2009”. A obra coletiva será lançada durante a 21ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Pavilhão de Feiras do Anhembi. Dentre os poetas estão 27 baianos, além de portugueses e um americano.
Entre os vencedores está o poeta e escritor riossulense Gabriel Gómez. A poesia “Infidelidade” rendeu ao autor a oitava colocação no concurso, além da publicação de seu material no livro. “É uma grande satisfação representar Rio do Sul em um concurso de grande dimensão como este, onde concorri com representantes da literatura brasileira e de fora.”, comenta Gómez.
Valdeck Almeida, organizador do prêmio literário, acalentou a ideia do concurso desde seus 12 anos de idade, quando teve o primeiro contato com a poesia de Drummond, Castro Alves, Augusto dos Anjos e os cordéis escritos por vários gênios da literatura popular nordestina. Há 32 anos Valdeck compõe poemas e se aventura pelo mundo dos contos e crônicas.
O primeiro livro-filho de poesias, “Feitiço Contra o Feiticeiro”, no entanto, só veio à luz após vinte anos de gestação. Foi parido, parto normal, e caminha até hoje por este Brasil a fora.
Valdeck Almeida de Jesus sabe o que é correr atrás de editoras e receber não como resposta. Não queria que outros poetas tivessem a mesma falta de sorte. Por isso, criou o “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus”, que dá oportunidade a gente do mundo inteiro.
Através de um concurso literário realizado em 2009, 133 poetas e escritores foram selecionados entre cerca de 600 inscritos, para ilustrar com palavras o livro “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus - 2009”. A obra coletiva será lançada durante a 21ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Pavilhão de Feiras do Anhembi. Dentre os poetas estão 27 baianos, além de portugueses e um americano.
Entre os vencedores está o poeta e escritor riossulense Gabriel Gómez. A poesia “Infidelidade” rendeu ao autor a oitava colocação no concurso, além da publicação de seu material no livro. “É uma grande satisfação representar Rio do Sul em um concurso de grande dimensão como este, onde concorri com representantes da literatura brasileira e de fora.”, comenta Gómez.
Valdeck Almeida, organizador do prêmio literário, acalentou a ideia do concurso desde seus 12 anos de idade, quando teve o primeiro contato com a poesia de Drummond, Castro Alves, Augusto dos Anjos e os cordéis escritos por vários gênios da literatura popular nordestina. Há 32 anos Valdeck compõe poemas e se aventura pelo mundo dos contos e crônicas.
O primeiro livro-filho de poesias, “Feitiço Contra o Feiticeiro”, no entanto, só veio à luz após vinte anos de gestação. Foi parido, parto normal, e caminha até hoje por este Brasil a fora.
Valdeck Almeida de Jesus sabe o que é correr atrás de editoras e receber não como resposta. Não queria que outros poetas tivessem a mesma falta de sorte. Por isso, criou o “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus”, que dá oportunidade a gente do mundo inteiro.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Brincadeiras infantis na ilha de Santa Catarina
No programa que participei na TVCOM "Estudio 36" em Florianópolis (que logo postarei aqui), fui entrevistado juntamente com a escritora e pesquisadora Telma Piacentini, autora de "Brincadeiras Infantis na ilha de Santa Catarina".
Brincadeiras de roda, pião, pandorga ou bola de gude encantam as crianças em qualquer época ou lugar. Representações dos jogos de infância estão presentes nas pinturas de Pieter Bruegel (1525-1569) e nos registros de Franklin Cascaes (1908-1983), feitos quatro séculos depois. Parte desse imaginário é o tema desta pesquisa.
O livro é resultado de um estudo sobre as esculturas em barro feitas pelo folclorista Franklin Cascaes, que retratam o legado das brincadeiras e brinquedos da Ilha, surgidos da mescla das heranças culturais luso-açoriana, negra e indígena. Seis esculturas estão publicadas em forma de lâminas avulsas numa reprodução das peças originais do acervo sob guarda do Museu Universitário Oswaldo Rodrigues Cabral, da UFSC.
Para a escritora catarinense a origem das brincadeiras locais está ligada à vasta tradição existente no Ocidente e Oriente. A pesquisadora estabelece relações entre os temas das obras de Cascaes e os jogos lúdicos retratados por artistas como Bruegel, Luca Cranach e Portinari. Segundo ela, algumas brincadeiras da Ilha registradas nas esculturas feitas pelo folclorista catarinense serviam como iniciação ao trabalho: meninos brincando de fabricar farinha de mandioca ou no engenho de açúcar, e meninas rendeiras preparando enxoval.
Com 96 páginas e prefácio de Gilka Girardello, o livro traz ainda verbetes explicativos sobre cada uma das brincadeiras – um trabalho feito pela arte-educadora Patrícia Guerreiro, que recorreu à bibliografia e a depoimentos de populares que traziam na memória lembranças dos jogos da infância.
Para Telma Piacentini, que também se dedica como artista à pintura, ao desenho e à gravura, “as brincadeiras infantis de Franklin Cascaes são como as manhãs de maio da Ilha: iluminadas”. Com Cavalinho de bambu, roda de aro, ciranda de roda e batizado de boneca, entre outras, elas fazem parte do “itinerário da magia”, define a autora.
Telma Anita Piacentini nasceu em Nova Veneza, SC, em 1947. Possui doutorados em Educação (USP) e em Pesquisa na Universitá Degli Studi de Ferrara (Itália) e, no mesmo campo de pesquisa, foi uma das criadoras do Museu do Brinquedo da UFSC, onde é professora da Pós-Graduação em Educação (PPGE/ UFSC).
Para a escritora catarinense a origem das brincadeiras locais está ligada à vasta tradição existente no Ocidente e Oriente. A pesquisadora estabelece relações entre os temas das obras de Cascaes e os jogos lúdicos retratados por artistas como Bruegel, Luca Cranach e Portinari. Segundo ela, algumas brincadeiras da Ilha registradas nas esculturas feitas pelo folclorista catarinense serviam como iniciação ao trabalho: meninos brincando de fabricar farinha de mandioca ou no engenho de açúcar, e meninas rendeiras preparando enxoval.
Com 96 páginas e prefácio de Gilka Girardello, o livro traz ainda verbetes explicativos sobre cada uma das brincadeiras – um trabalho feito pela arte-educadora Patrícia Guerreiro, que recorreu à bibliografia e a depoimentos de populares que traziam na memória lembranças dos jogos da infância.
Para Telma Piacentini, que também se dedica como artista à pintura, ao desenho e à gravura, “as brincadeiras infantis de Franklin Cascaes são como as manhãs de maio da Ilha: iluminadas”. Com Cavalinho de bambu, roda de aro, ciranda de roda e batizado de boneca, entre outras, elas fazem parte do “itinerário da magia”, define a autora.
Telma Anita Piacentini nasceu em Nova Veneza, SC, em 1947. Possui doutorados em Educação (USP) e em Pesquisa na Universitá Degli Studi de Ferrara (Itália) e, no mesmo campo de pesquisa, foi uma das criadoras do Museu do Brinquedo da UFSC, onde é professora da Pós-Graduação em Educação (PPGE/ UFSC).
Agradeço à escritora pela dedicatória e cordialidade de presentear-me com esta importante obra, além de encaminhar meus livros para a biblioteca da Barca dos Livros, localizada nas margens e proximidades da Lagoa da Conceição.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Inimigos
quinta-feira, 11 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
A última página
Enquanto escrevia o romance Rayuela, de mais de seiscentas páginas, o escritor argentino Julio Cortázar passou por momentos difíceis. Exausto com o processo criativo que lhe exigiu uma dedicação extrema, muitas vezes só se alimentava porque sua mulher lhe forçava a comer, só dormia porque ela lhe levava para cama, só tomava banho porque ela exigia. "Cheguei num ponto que eu não sentia mais o meu corpo, nem a minha mente", disse o escritor numa entrevista, "era apenas uma espécie de massa sensível que escrevia". Nessas horas, Cortázar lembrava-se comovido de Marcel Proust. "Que emoção indescritível ele deve ter sentido ao escrever a última página de seu romance!". Alcançar a última página, no caso de o autor de Em busca do tempo perdido, significa ter ultrapassado sete volumes, vencido dois mil e quatrocentos e quarenta e oito páginas e sobrevivido a treze anos sobre a escrivaninha. "Eu experimentava uma sensação de imenso cansaço ao verificar que todo esse tempo não só fora sem interrupção, vivido, pensado, segregado por mim, mas era a minha vida, era eu mesmo", revelou Proust, em um de seus cadernos de anotação, perto de terminar a sua saga literária. Escrever Em busca de um tempo perdido tomou um tempo tão longo que a escrita tornou-se a própria vida do escritor."Como então terminar um livro?", indagou uma vez a escritora americana Mary McCarthy, "se ele se torna a nossa própria vida?".
Trecho do interessantíssimo artígo "A última página" de Claudia Lage, no jornal literário Rascunho. Leia o texto completo AQUI.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Adeus à metáfora do livro
- Se o senhor fosse fazer uma redação sobre o melhor lugar do mundo, que lugar o senhor descreveria?- Uma biblioteca.
Pergunta e resposta final da entrevista de "Verso e Prosa", a José Mindlin, bibliógrafo e integrante da ABL (Academia Brasileira de Letras), que faleceu neste domingo aos 95 anos.
Nossa pequena homenagem a um dos maiores colecionadores e amante de livros do Brasil .
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