ESCRITOS DO GABRIEL

(Tentar que nossas palavras sejam, através de nós ou, quiçá, apesar de nós.
Meus textos, meus rascunhos com erros... )



"Então, um dia comecei a escrever, sem saber que estava me escravizando para o resto da vida a um senhor nobre, mas impiedoso. Quando Deus nos dá um dom, também dá um chicote – e esse chicote se destina exclusivamente à nossa autoflagelação."

Introdução do livro Música para Camaleões, de Truman Capote.

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quarta-feira, 8 de maio de 2013

Na Feira do Livro de Jaraguá do Sul

O escritor Rio-sulense Gabriel Gómez é um dos confirmados para participar da 7ª edição da Feira do Livro de Jaraguá do Sul, que acontece do 6 até o dia 16 de junho. Ele se apresentara na segunda-feira, dia 10, para uma conversa-palestra sobre poesia e literatura no novo palco no Centro Cultural de Jaraguá do Sul (Scar).

Veja AQUI toda a programação da Feira. 

Durante o lançamento, a organização divulgou também o nome de três grandes autores infantis e mais quatro participantes que já foram confirmados.
Trata-se dos músicos e escritores Zeca Baleiro e Adriana Calcanhoto, a violonista Badi Assad e o escritor Rubens Figueiredo. A cerimônia também contou com o lançamento da logomarca do evento. O evento, que é referência no Sul do País, integra o Circuito Nacional de Feiras do Livro do Governo Federal. Para o coordenador geral, Carlos Henrique Schroeder, a proposta não é que a feira seja apenas um local para vender literatura, mas um ambiente para discutir as obras.
— O objetivo do evento é ser um palco de ideias e não apenas um comércio de livros. No ano passado, demos atenção aos quadrinhos (com Ziraldo e Mutarelli) e, neste ano, nos voltamos para a música. A literatura toca em todas as artes —, acredita.
A intenção da organização é nunca repetir um nome sequer. Por isso, na hora de escolher os convidados, o que mais conta é o ineditismo.
Adriana Calcanhotto (que também assina como Adriana Partimpim) participa para falar sobre suas composições, ilustrações e seus dois livros, no dia 6 de junho, às 19 horas. Uma das grandes compositoras e violonistas do país, Badi Assad faz um show no dia 8 de junho, às 19 horas. Vencedor do Prêmio Jabuti por duas vezes, Rubens Figueiredo estará o dia 11 de junho, às 19 horas, e o compositor e músico Zeca Baleiro marca presença no dia 12 de junho, às 19 horas, para falar sobre seus livros e suas composições.
Além dos convidados, a feira continua com a programação de debates, oficinas contações de histórias e a comercialização de livros a partir de R$ 1.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Como ser um grande escritor

Charles Bukowski

 

Poema do livro “O amor é um cão dos diabos”.


você tem que trepar com um grande número de mulheres
belas mulheres
e escrever uns poucos e decentes poemas de amor.

não se preocupe com a idade
e/ou com os talentos frescos e recém-chegados;

apenas beba mais cerveja
mais e mais cerveja

e vá às corridas pelo menos uma vez por
semana

e vença
se possível.

aprender a vencer é difícil -
qualquer frouxo pode ser um bom perdedor.

e não se esqueça do Brahms
e do Bach e também da sua
cerveja.

não exagere no exercício.

durma até o meio-dia.

evite cartões de crédito
ou pagar qualquer conta
no prazo.

lembre-se que nenhum rabo no mundo
vale mais do que 50 pratas
(em 1977).

e se você tem a capacidade de amar
ame primeiro a si mesmo
mas esteja sempre alerta para a possibilidade de uma derrota total
mesmo que a razão para esta derrota
pareça certa ou errada

um gosto precoce da morte não é necessariamente uma cosa má.

fique longe de igrejas e bares e museus,
e como a aranha seja
paciente
o tempo é a cruz de todos
mais o
exílio
a derrota
a traição

todo este esgoto.

fique com a cerveja.

a cerveja é o sangue contínuo.

uma amante contínua.

arranje uma grande máquina de escrever
e assim como os passos que sobem e descem
do lado de fora de sua janela

bata na máquina
bata forte

faça disso um combate de pesos pesados

faça como o touro no momento do primeiro ataque

e lembre dos velhos cães
que brigavam tão bem?
Hemingway, Céline, Dostoiévski, Hamsun.

se você pensa que eles não ficaram loucos
em quartos apertados
assim como este em que agora você está

sem mulheres
sem comida
sem esperança

então você não está pronto.

beba mais cerveja.
há tempo.
e se não há
está tudo certo
também.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Que livro você é?

Eu descobri que seria "Memórias póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis. O link para descobrir essa identidade literária está no portal Educar para Crescer do Grupo Abril.
Na seção de testes você responde a uma série de perguntas que no final sugere um livro que tem a sua cara.
Além do título, o programa também tenta definir sua personalidade. Olha o que deu o meu...(Será?):

Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro... Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade - um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.
"Memórias póstumas de Brás Cubas" (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.

Quer ver qual livro você é? Faça o teste AQUI e depois me conte...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O beijo

Um dos poemas que o poeta Carlito Azevedo apresentou na sua oficina no ano passado, foi “o beijo” de C. Tarkos, poeta francês que morreu em 2004. Além da sua singular leitura, o poema, mesmo traduzido ao português, é uma incrível música aos ouvidos e às sensações...



O BEIJO

Um beijo. Eles se beijam. Ele toma sua boca em sua boca, ela toma sua boca em sua boca, eles se beijam. Ele abre seus lábios à sua boca, à sua língua, ela abre seus lábios aos seus lábios, à sua boca, à sua língua, ela gira sua língua em sua boca, ele gira sua língua em sua boca, ele descobre seu beijo, ela descobre a sensação de seu beijo, sua língua doce em sua boca, sua língua doce contra sua língua, ele envolve sua língua em sua língua, ele a mistura, ela gira sua língua contra sua língua, eles se beijam, ela a mistura, eles se misturam, ela cede sua boca à sua boca, eles se dão um beijo, ela lhe dá um beijo e sua língua, ele acaricia sua língua em sua boca, ela acaricia sua língua em sua boca, ela o deixa entrar, eles se amam, sua língua está em sua boca, ela mete sua língua em sua boca, seus lábios estão colados contra seus lábios, ela acaricia sua língua contra sua língua que gira em sua boca contra sua língua, acaricia sua língua contra sua língua quente e oferecida, ele mete sua língua em sua boca, e então eles se amam, eles se beijam.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Dois pensamentos de Borges, uma pergunta com opções e uma constatação

Os pensamentos

Sobre os livros na sua biblioteca: "Ordenar uma biblioteca é uma maneira silenciosa de exercer a arte da critica." (Ele já tinha dito que não guardava na sua biblioteca nenhum livro que tinha escrito. Não tinha como ficar ao lado dos que considerava seus mestres.)
[...] Eu sigo brincando de não ser cego, sigo comprando livros, sigo enchendo minha casa de livros. Outro dia deram-me a Enciclopédia de Brockhause. Senti a presença desse livro em casa, senti-a como uma espécie de felicidade. Aí estavam vinte e tantos volumes com uma letra gótica que não posso ler, com os mapas e gravuras que não posso ver e, no entanto, o livro estava ali. Sentia como que uma gravitação amistosa vinda do livro. Penso que o livro é uma das formas de felicidade que temos, os homens."Sobre os espelhos: "Estou só e não há ninguém no espelho. [...] Eu que senti o horror dos espelhos/não só diante do cristal impenetrável/ onde acaba e começa, inabitável,/um impossível espaço de reflexos/ porem diante da água especular que imita/ o outro azul em seu profundo céu/ que as vezes aproxima o ilusório vôo/ da ave inversa o que um tremor agita.../ "
Os espelhos o assustavam. Tinha repetitivos sonhos com esta duplicidade.

A pergunta

Mesmo sendo cego, você gostaria de estar rodeado de:
1)      Apenas de livros que você escreveu.
2)      De espelhos.
3)      Dos livros que você ama.

A constatação

Borges tinha razão.  

sábado, 7 de janeiro de 2012

Sobre Onetti

Leio numa entrevista que Onetti já tinha decidido nos últimos anos, permanecer na cama do seu quarto em Madri por tédio. Recebia seus visitantes na cama e também escrevia nela, mais por recusa que por necessidade. Trocava o dia pela noite, em companhia de um maço de cigarros e um copo de uísque: “Embebedar-me não. Não serve para nada. A questão é ter sabedoria do gradual”, confessava. Estabeleceu na sua literatura um tipo de relação de divindade, com três deuses em um, definiu. O Pai, o filho e o espírito santo; ou seja: paixão, necessidade e vício.
Suas historias dificilmente tenham um final feliz. Ele disse que quando começa a escrever não sabe exatamente seu final. Mas elas, na sua maioria, acabam mal.
Mas quero lembrar uma opinião do seu conterrâneo uruguaio, Mario Benedetti: “Seus contos são insondáveis e como seres vivos que temos que voltar a ver uma e outra vez, do começo ao fim, e pelo meio, pelos cantos das páginas e dos parágrafos; e começar de novo porque a vida e os contos são complicados, e passado o tempo, seis anos ou uma semana, o conto já é outro, e a gente já é outra, e então temos que recomeçar e revirar-los, agitá-los antes de usar e deixar que as palavras voltem a assentar-se para permitir-lhes mais uma vez revelar seu mistério...”
A mudança acontece, em geral, com toda boa literatura. E, irremediavelmente, também com cada um de nós.  

domingo, 25 de dezembro de 2011

Obrigado Irene!

Uma das maiores poetas da Argentina da atualiadade, Irene Gruss, me honra muito com sua amizade (até colocou sua foto (número 81) seguindo este blog... 
Um grande presente do Natal cheio de poesia! 
Conheça um pouco da sua poesia em portugues, publicada no jornal rascunho de dezembro AQUI e seu Blog "El mundo incompleto" AQUI
e como já disse para ela, o mundo já está completo agora com sua poesia.
 
Obrigado Irene!
 
IRENE GRUSS Nasceu em Buenos Aires, em 1950. Estreou com La luz en la ventana (1982), seguindo-se El mundo incompleto (1987), La calma (1991), Solo de contralto (1997) e La dicha (2004), entre outros.  

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Sobre "Meia-noite em Paris" e cada um por si...

Ainda estou pensando num pequeno diálogo do maravilhoso filme de Woody Allen “Meia-noite em Paris”.
Para quem ainda não assistiu (está perdendo...), esclareço um pouco da história para poder entender aquilo que quero destacar.
Gil Pender (Owen Wilson), um ex-roteirista de Hollywood tenta agora ganhar a vida como escritor. Em viagem a Paris com sua noiva Inez (Rachel McAdams) e os pais dela, descobre que a cidade pode lhe devolver sua inspiração: todos os dias, à meia-noite, Gil pode viajar no tempo, a Idade de Ouro em que seus ídolos viveram (como Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald e muitos outros artistas e escritores reconhecidos).
Numa das cenas onde o protagonista volta no tempo, Gil entrega o manuscrito de seu livro para um impagável Hemingway, pedindo para que este o leia, o carrancudo escritor responde de forma prática e realista:
- “Não vou ler. Se for ruim, vou detestar. Se for bom, vou ficar com inveja e detestarei ainda mais”.
Ainda esclarece que não é uma boa idéia mostrar textos para outros escritores esperando alguma opinião, destaque ou divulgação... Parece afirmar a existência de um clima de competição e inveja entre seus pares.
Não tenho como não associar ou lembrar que escritores entregam seus livros, seus "originais”, e outros tantos textos, para outros tantos escritores (alguns afamados, que apenas com sua “benção” já bastaria...), responsáveis por Blogs, sites, revistas literárias, colunas em jornais e afins, esperando possivelmente, alguma opinião, divulgação ou mínimo comentário de “recebi, obrigado”.
Ninguém sabe em que fundo falso está localizada a prateleira destes livros de pequenas editoras, muito menos se algum dia serão lidos. Além das conhecidas “panelinhas” literárias, ninguém existe se publicar fora do eixo, ou não conta com os favores de algum amigo-crítico da imprensa especializada? Aliás, parecem existir cada vez menos críticos literários que também não se dediquem a escrever... E aí, já viu... Sem falar que quando acontece algum destaque, nem sempre a gratidão do escritor aparece. Mas esse é outro assunto extenso e complexo... Aquela gratidão que consegue transformar uma refeição em um banquete, uma casa em um lar, um estranho em um amigo.
Qual será a válida e real separação entre a literatura boa e ruim? Cada um por si e que ela fale mais alto?
Mesmo que a realidade seja outra, assim como destaca Hemingway, a verdadeira escrita (e seu protagonista) parece não esperar a função da mídia, as benesses da crítica, dos amigos, dos leitores, do suposto reconhecimento e prestígio das grandes editoras... Ela se afirma e confirma por aquela “coisa sagrada”, inexplicável para muitos, para quem a considera, por cima de tudo, e independente de divulgação, sua verdadeira condição de existência.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Oficina com Carlito Azevedo

Neste final de semana participei da oficina de poesia com Carlito Azevedo, em Jaraguá do Sul.
Além de muitas leituras, opiniões e aprendizado, resta o sentimento que estivemos na frente de um grande da nossa poesia... Sua tarde toda de trocas (e logo sua prolongação no bar...), foi a melhor poesia que aconteceu.
(Obrigado a todos...)

Carlito Azevedo nasceu no Rio e cursou a faculdade de letras na UFRJ. Publicou As Banhistas (1993), que tem como centro uma série de poemas com o mesmo título, que pode ser vista como o modelo de sua poética; Sob a Noite Física (1996); e Versos de Circunstância (2001). Em 2001, reuniu seus poemas na antologia Sublunar (1991-2001). Monodrama (2009).
Recebeu o Jabuti por seu primeiro livro, “Collapsus linguae”. Sua antologia “Sublunar” recebeu o Prêmio Alphonsus Guimarães da Biblioteca Nacional. Seu quarto livro, “Monodrama”, da 7 Letras, foi finalista do Telecom, e para muitos, o melhor livro de poesia dos últimos tempos. Agitador poético (é curador, com Augusto Massi, da coleção Ás de Colete, editada pela 7Letras e pela Cosac Naify, e mantém uma página mensal de poesia no jornal "O Globo"). Editor desde 1997 da revista de poesia Inimigo Rumor.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Panorama Catarina, Literatura 2011

Algumas fotos na Livraria Livros & Livros (Forianópolis), do evento “Panorama Catarina: literatura 2011”, promovido pela pela Design Editora aos lançamentos destaques deste ano.
Adriana Nietzkar e Vanucci Deucher, de Jaraguá do Sul, autografaram “Uma Palavra Muda”; André Timm, de Chapecó, autografou “Insônia”, Melanie Peter, de Joinville, autografou “Persona” e eu com meus "Exercícios da Ausência" (e curiosamente, mesmo não levando nenhum outro livro da minha autoria, acabei autografando 3 "Borges e outras ficções"...)
Muitos escritores reconhecidos, como Amilcar Neves, colunista do DC e novo imortal da Academia Catarinense de Letras; Celestino Sachet (também da Academia Catarinense de Letras), a sempre presente amiga e escritora Regina Carvalho, Rubens da Cunha, escritor e colunista do "A ´Notícia", Dennis Radünz, Marco Vasques, João Chiodini, Inês Carmelita Lohn, Ana Hester, Augusto de Abreu, Bety Ossig, Luiz Carlos Amorim, Jair Francisco Hamms e muitos da Academia Desterrense de Letras. Em muitos outros Blogs poderão encontrar outras fotos (que também roubei, né regininha...?) e detalhes deste Panorama 2011 da nova escrita catarinense.
O Escritor e editor Carlos Schroeder acertou o tom deste encontro, com nuances de lançamento, bate-papo e premiação. Parabéns e obrigado a todos!

O Panorama Catarina no DC

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Partidas e chegadas

Julio, sou eu de novo... Desculpa atrapalhar a escrita.
Poderias repetir, ler agora em voz alta, do teu “Jogo da Amarelinha” que:
"Nada está perdido si se tiene el valor de proclamar que todo está perdido y hay que empezar de nuevo.", ou que “La esperanza le pertenece a la vida, es la vida misma defendiéndose.", e também que “Cuando me hayan devuelto mi casa y mi vida, entonces encontraré mi verdadero rostro."
Obrigado.
Necessitava ouvir tudo novamente como se não fossem apenas palavras saídas entre dois lábios e sim uma revelação duradoura.

Preciso salvar um sonho. Sustentar seu olhar...
Queria lembrar também que nada mais nada às vezes da um pouquinho de algo.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Doodle faz homenagem a Borges



A logomarca da empresa
Google publicada no seu site de buscas foi substituída hoje, quarta-feira (24) por uma ilustração conhecida como ‘Doodle’. A data lembra quando o argentino Jorge Luis Borges, escritor, poeta, contista e ensaísta, completaria 112 anos de vida.
Para representar a contribuição do homenageado, o doodle foi produzido com inspirações surrealistas, tendência presente nas obras de Borges.
Os labirintos da imagem também fazem referência às narrações do escritor.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Garrafa ao mar para o Deus das palavras

“...A humanidade entrará no terceiro milênio sob o império das palavras. Não é verdade que as imagens estejam substituindo as palavras, nem que as palavras possam ser extintas. Ao contrário, as imagens estão potencializando as palavras: nunca houve no mundo tantas palavras com tanto alcance, autoridade e vida própria como na imensa Babel da vida atual. Palavras inventadas, maltratadas ou sacrilizadas pela imprensa, pelos livros descartáveis, pelos cartazes de publicidade, faladas e cantadas no rádio, na televisão, no cinema, no telefone, nos alto-falantes públicos, gritas nas inscrições dos muros das ruas ou sussurradas ao pé do ouvido nas penumbras do amor. Não: o grande derrotado é o silêncio. Agora as coisas têm tantos nomes, e em tantos idiomas, que já não é fácil saber como se chamam em língua alguma. Os idiomas se dispersam soltos e sem direção, se misturam e se confundem, disparados rumo ao destino irremediável de uma linguagem global.”

Trecho do texto de Gabriel Garcia Marques, “Garrafa ao mar para o Deus das palavras”, discurso em Zacatecas, México, 7 de abril de 1997, publicado no seu recente livro “Eu não vim fazer um discurso”, tradução de Eric Nepomuceno.
Comprei final de semana, ainda não terminei de ler, mas está valendo muito a pena...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

39 anos sem Alejandra Pizarnik


Em setembro se completam 39 anos do suicídio da poeta e escritora argentina Alejandra Pizarnik. Existem muitos escritos, referências e homenagens neste blog  (Veja alguns AQUI, AQUI e AQUI). Publico agora um texto de Ana Maria Ramiro e algumas poesias, também traduzidas por ela. 

"A letra de Alejandra era pequenina, como um caminho de
formigas ou um minúsculo colar de grãos de areia. Mas
esse fio, com toda a sua leveza, não se apagará nunca,
pois é um dos fios usados para entrar e sair do labirinto".

(Enrique Molina)

... Filha de imigrantes judeus, provenientes da Rússia (os Pozharnik), Alejandra estudou filosofia na Universidade de Buenos Aires, tendo sido, porém, uma aluna mediana, uma vez que dividia suas atenções entre o jornalismo, a pintura e a literatura. Seu professor de literatura, Juan Jacobo Bajarlia, o grande amigo que a chamava de Buma (flor em ídish), foi quem a iniciou na leitura crítica, especialmente dos surrealistas. Alejandra abraça então o surrealismo, dedicando a este movimento todos os seus sentidos artísticos, a literatura e a pintura, tendo participado inclusive de uma exposição na Galeria Guernica, em Buenos Aires, e convertendo-se em uma de suas mais ferrenhas seguidoras.
Apesar do talento artístico nato, Alejandra sempre foi uma pessoa extremamente melancólica. A dependência econômica da família, somada aos problemas que apresentou na adolescência, como a gagueira, a asma e a inadaptação ao ambiente familiar fizeram-na uma pessoa ciclotímica. Era obsessiva, exaltada e depressiva, sentimentos que alternava rapidamente. Nestes momentos de extremo isolamento, criou um personagem poético e anatomicamente coerente, produto de um distanciamento produzido pela idéia de não possuir raízes locais, e onde passa a viver a nostalgia do seu auto-exílio interior. É quando também começa a tomar analgésicos, anfetaminas e calmantes, por conta de fortes dores nas costas, projetando assim uma imagem em consonância com a sua expressão artística. Essa dor, esse descontentamento consigo mesma marcarão toda a sua obra poética, e enquanto Alejandra escreve poesia, ela constrói, através do exercício poético, a si mesma.
"Oxalá, pudesse viver somente em êxtase, fazendo o corpo do poema como meu próprio corpo, resgatando cada frase com meus dias e minhas semanas, fundindo no poema o meu sopro à medida que cada letra de cada palavra tenha sido sacrificada nas cerimônias do viver".
Em 1955, aos 22 anos, publica "La tierra más ajena" e em 1956, "La última inocencia", que é dedicada a Oscar Ostrov, seu psicanalista e grande paixão, segundo alguns de seus biógrafos. A partir de então, passa a escrever intensamente, deixando uma vasta produção poética, além de um diário onde expõe suas angústias, paixões e imaginário homoerótico. Partes deste diário, porém, foram subtraídas por seus familiares, a fim de preservar a imagem da poeta, mas a exemplo de outras escritoras, como as inglesas Sylvia Plath e Virginia Woolf ou a brasileira Ana Cristina César, esta atitude somente acirrou a curiosidade em torno do mito, num destino comum às escritoras suicidas. Desta época, há o seguinte registro em seu diário:
"Não sei quando comecei a buscar esta pessoa. Não sei mesmo quem é, não a conheço. É estranho como e quando a busquei. Eu já não sou eu mesma, sou meus olhos. Procurem. Entre as folhas mortas, entre as árvores filósofas, no sim e no não, no revés e no direito, em um copo de água e em minha sede de sempre".
De 1960 a 1964, residiu em Paris, onde passa a escrever com mais liberdade, rodeada por vários amigos ali radicados. Manteve-se como tradutora e periodista, trabalhando na revista Cahiers e outros editoriais. Traduziu Antonin Artaud, Henry Michaux, Yves Bonnefoy, entre outros, enquanto estudava história da religião e literatura francesa na Sorbonne. Em carta a uma amigo, Alejandra diz: "envelheço e não tenho vontade de voltar a Buenos Aires". Em 1962, publica "Árbol de Diana", considerada sua melhor obra, com prefácio de Octavio Paz, e conhece ainda Júlio Cortázar, com quem desenvolverá uma estreita amizade até a morte dela.
Em 1965, Alejandra retorna à Argentina, devido à doença do pai e após grande insistência da família. Passa então a se sentir novamente "enjaulada" e sua escrita se adensa, apresentando os sintomas da depressão, desarraigamento e total alienação. Em Buenos Aires, publicou "Los Trabajos y las noches", "Extracción de la piedra de la locura", "El Infierno musical" e "La condesa Sangrienta".
A obra "Extracción de la piedra de la locura" mostra os primeiros sinais de seu esgotamento psíquico. A partir de então, Alejandra será internada em sanatórios por breves períodos, até a sua morte. A autora começa ainda a escrever sobre um possível suicídio:
"Aqui me assalta e me invade muitas vezes a evidência de minha enfermidade, de minha ferida".
"O maior dos mistérios em minha vida é este: Por que não me suicido? É em vão alegar meu torpor, meu medo, minha distração. Talvez por isto, sinto a cada noite, que me esqueço de algo".
Ao lado da desintegração pessoal, percebe-se uma fase de fragmentação total em sua obra, a fratura sintática. Para a poeta, o idioma também se convertera em uma jaula, da qual tentaria fugir. Passa a transgredir a literalidade, o sentido e começa a utilizar composições aleatórias, signos lançados a esmo, que postos consecutivamente em forma de pequenas expressões, assemelhavam-se ao estado de incoerência que se confundia, mais uma vez, com a própria vida da poeta. Não existe mais um narrador concordante com o receptor, ambos se cruzam. Não existe o tempo, porque na morte não há coerência. Alijada de sua individualidade, restariam apenas a personagem, a obra e o mito.
Alejandra Pizarnik morreu em 1972, de uma overdose de seconal, enquanto passava um final de semana fora da clínica psiquiátrica onde estava internada.

N.T.: Este artigo se baseou no ensaio "Alejandra Pizarnik", de Carlos Luis Torres Gutiérrez, publicado em 2004 na revista Espéculo- Revista de estudios literarios, da Universidad Complutense de Madrid, e em "Alejandra Pizarnik, poesía completa", organizada por Ana Becciu, em 2005, para a Editorial Lumen, Barcelona.


Peregrinaje

Llamé, llamé como la náufraga dichosa
a las olas verdugas
que conocen el verdadero nombre
de la muerte.

He llamado al viento,
le confié mi deseo de ser.

Pero un pájaro muerto
vuela hacia la desesperanza
en medio de la música
cuando brujas y flores
cortan
la mano de la bruma.
Un pájaro muerto llamado azul.

No es la soledad con alas,
es el silencio de la prisionera,
es la mudez de pájaros y viento,
es el mundo enojado con mi risa
o los guardianes del infierno
rompiendo mis cartas.

He llamado, he llamado.
He llamado hacia nunca.


Peregrinação

Chamei, chamei como náufraga ditosa
as ondas verdugas
que conhecem o verdadeiro nome
da morte

Chamei o vento
confiei-lhe o meu desejo de ser

Mas um pássaro morto
voa até a desesperança
em meio à música
quando bruxas e flores
cortam
a mão da bruma.
Um pássaro morto chamado azul.

Não é solidão com asas,
é o silêncio da prisioneira,
é a mudez de pássaros e vento,
é o mundo irritado com meu riso
ou os guardiões do inferno
rompendo minhas cartas.

Tenho chamado, tenho chamado
Tenho chamado até nunca.




Fragmentos para dominar o silêncio
I
Las fuerzas del lenguaje son las damas solitarias, desoladas, que cantan a través de mi voz que escucho a lo lejos. Y lejos, en la negra arena, yace una niña densa de música ancestral. ¿Dónde la verdadera muerte? He querido iluminarme a la luz de mi falta de luz. Los ramos se mueren en la memoria. La yacente anida en mí con su máscara de loba. La que no pudo más e imploró llamas y ardimos.

As forças da linguagem são damas solitárias, desoladas, que cantam através da minha voz que escuto a distância. E distante, na arena negra, jaz uma menina densa de música ancestral. Onde está a verdadeira morte? Quis me iluminar à luz de minha falta de luz. Os ramos morrem na memória. A que jaz aninhada em mim com sua máscara de loba. A que não pôde mais e implorou chamas e ardemos.

II

Cuando a la casa del lenguaje se le vuela el tejado y las palabras no guarecen, yo hablo.
Las damas de rojo se extraviaron dentro de sus máscaras aunque regresarán para sollozar entre flores.

No es muda la muerte. Escucho el canto de los enlutados sellar las hendiduras del silencio. Escucho tu dulcísimo llanto florecer mi silencio gris.

Quando voa o telhado da casa da linguagem e as palavras não protegem, eu falo.
As damas de rubro se perderam dentro de suas máscaras ainda que regressassem para soluçar entre flores.

Não é muda a morte. Escuto o canto dos enlutados selar a rachaduras do silêncio. Escuto seu dulcíssimo pranto florescer meu silêncio gris.

III
La muerte ha restituido al silencio su prestigio hechizante. Y yo no diré mi poema y yo he de decirlo. Aún si el poema (aquí, ahora) no tiene sentido, no tiene destino.

A morte restituiu ao silêncio seu prestígio encantador. E eu não direi meu poema e eu tenho que dizê-lo. Mesmo que o poema (aqui, agora) não tenha sentido, não tenha destino.

(Alejandra Pizarnik, de La extracción de la piedra de la locura, 1968)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O Gregório da regininha

A escritora e amiga Regina Carvalho fará o lançamento do seu livro Gregório de Matos - Poemas, no dia 12 de julho em Florianópolis. Além do seu convite, publico um poema do seu livro.
O autor, que nasceu em 1636, apelidado de Boca do Inferno ou Boca de Brasa, também foi advogado. Considerado o maior poeta barroco do Brasil e o mais importante poeta satírico da literatura em lingua portuguesa no período.
Parabéns regininha por mais esta obra!


E POIS CORONISTA* SOU

Se souberas falar também falaras
também satirizaras, se souberas,
e se foras poeta, poetaras.
Cansado de vos pregar
cultíssimas profecias,
quero das culteranias
hoje o hábito enforcar:
de que serve arrebentar,
por quem de mim não tem mágoa?
Verdades direi como água,
porque todos entendais
os ladinos, e os boçais
a Musa praguejadora.
Entendeis-me agora?

Permiti, minha formosa,
que esta prosa envolta em verso
de um Poeta tão perverso
se consagre a vosso pé,
pois rendido à vossa fé
sou já Poeta converso

Mas amo por amar, que é liberdade.

* Coronista: cronista.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

25 anos sem Borges...

No passado dia 14, há 25 anos morria Jorge Luis Borges. Inúmeras homenagens, leituras, edições e publicações aconteceram em Argentina e diferentes países.
Possivelmente o mais importante tributo seja em Veneza, que inaugura um labirinto com seu nome, com três quilômetros de pequenas árvores, de 75 centímetros de altura, sobre uma superfície de 2,3 mil metros quadrados.
Poderia escrever ou lembrar diferentes pontos de vista da sua personalidade, obra ou folclore, tão aproveitado nas diferentes rodas literárias que eternizam seu nome...
Preferi indicar um roteiro diferente de Buenos Aires, aquele que trata de alguns lugares que tanto aparecem nos contos, poemas ou fizeram parte da sua vida. Para isto a secretaria de turismo de Buenos Aires realizou um percurso com 25 paradas oficiais.

Conheça todo ele (em espanhol), AQUI.

Boa viagem...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Encontro com Horacio Ferrer


Autografando seu livro



























Nas muitas palestras e conversas na Feira do Livro de Buenos Aires, uma delas considero muito especial: meu encontro com o poeta Horacio Ferrer... E para quem ainda esse nome não lembra nada, é só pensar nos grandes sucessos do músico argentino Astor Piazzolla.
Entre tantas letras e parcerias, quem não lembra de "Balada para um louco"? (Veja o vídeo no final...).

Balada para un loco

(declamado)

Las tardecitas de Buenos Aires tienen ese no sé qué, ¿viste?.
Salís de tu casa, por Arenales .
Lo de siempre: en la calle y en vos...
Cuando de repente, de atrás de un árbol, me aparezco yo.
Mezcla rara de penúltimo linyera y de primer polizonte a Venus:
medio melón en la cabeza, las rayas de la camisa pintadas en la piel,
dos medias suelas clavadas en los pies y una banderita de taxi libre
levantada en cada mano. ¡Te reís!...
Pero sólo vos me ves: porque los maniquíes me guiñan;
los semáforos me dan tres luces celestes,
y las naranjas del frutero de la esquina me tiran azahares.
¡Vení!, que así, medio bailando y medio volando,
me saco el melón para saludarte,
te regalo una banderita y te digo...

(Cantado)

Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao...
No ves que va la luna rodando por Callao
que un corso de astronautas y niños, con un vals,
me baila alrededor... ¡Bailá!... ¡Vení!... ¡Volá!

Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao...
Yo miro a Buenos Aires del nido de un gorrión;
y a vos te vi tan triste... ¡Vení! ¡Volá! ¡Sentí!...
el loco berretín que tengo para vos:

¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!
Cuando anochezca en tu porteña soledad,
por la ribera de tu sábana vendré
con un poema y un trombón
a desvelarte el corazón.

¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!
Como un acróbata demente saltaré,
sobre el abismo de tu escote hasta sentir
que enloquecí tu corazón de libertad...
¡Ya vas a ver!

Declamado

Salgamos a volar, querida mía;
subite a mi ilusión supersport,
y vamos a correr por las cornisas
¡con una golondrina en el motor!
De Vieytes nos aplauden: "¡Viva! ¡Viva!"
los locos que inventaron el Amor:
y un ángel y un soldado y una niña
nos dan un valsecito bailador.

Nos sale a saludar la gente linda...
Y loco –pero tuyo– ¡qué sé yo!:
provoco campanarios con la risa,
y al fin, te miro, y canto a media voz:

(Cantado)

Quereme así, piantao, piantao, piantao...
Trepatea esta ternura de locos que hay en mí,
ponete esta peluca de alondras ¡y volá!
¡Volá conmigo ya! ¡Vení, volá, vení!

Quereme así, piantao, piantao, piantao...
Abrite a los amores que vamos a intentar
la mágica locura total de revivir
¡Vení, volá, vení! ¡Trai-lai-la-larará!
¡Loca ella y loco yo!


(Gritado)

¡Viva! ¡Viva! ¡Viva!
Loca ella y loco yo...
¡Locos! ¡Locos! ¡Locos!

Declamou, emocionou, falou-me do Brasil (foi o criador e presidente da Academia Nacional do Tango na Argentina e, entre tantos outros países, também da academia daqui), das letras, poesias, de ser uruguaio e argentino... E na despedida, trocamos nossos livros, e com seu ar de poeta sonhador, se despediu com um beijo e um abraço.
Conheça mais de Horacio Ferrer AQUI.
O poeta Horacio Ferrer com meu livro "Exercícios da Ausência"

Horacio Ferrer - Paula Castignola "Balada para un loco" Festival de Tango Quilmes 2010


sábado, 26 de fevereiro de 2011

De andar para trás

Ainda que Cortazar, em seu impagável Manual de Instruções, do livro “Histórias de Cronópios e Famas” (1962), detalhe que “as escadas se sobem de frente, pois de costas ou de lado tornam-se particularmente incomodas” e minuciosamente explique este procedimento:
“...começa-se por levantar aquela parte do corpo situada embaixo à direita, quase sempre envolvida em couro ou camurça e que salvo algumas exceções cabe exatamente no degrau. Colocando no primeiro degrau essa parte, que para simplificar chamaremos pé, recolhe-se a parte correspondente do lado esquerdo (também chamada pé, mas que não se deve confundir com o pé já mencionado), e levando-a à altura do pé faz-se que ela continue até colocá-la no segundo degrau, com o que neste descansará o pé, e no primeiro descansará o pé. (Os primeiros degraus são os mais difíceis, até se adquirir a coordenação necessária. A coincidência de nomes entre o pé e o pé torna difícil a explicação. Deve-se ter um cuidado especial em não levantar ao mesmo tempo o pé e o pé.)”, ele mesmo completa no seu livro posterior “Último Round” (1969), que existem escadas para subir e escadas para descer, acrescentando que também pode haver escadas para ir para trás:
“Os usuários desses úteis artefatos entenderão sem esforço excessivo que qualquer escada vai para trás se a gente sobe de costas, mas o que resta saber nesses casos é o resultado de tão insólito processo...”.
Como também não voltar a lembrar (e associar) que entre as diferentes criaturas literárias e mitológicas concebidas no “Livro dos seres imaginários”, Borges descreve uma curiosa ave, originária da fauna dos Estados Unidos?: “Não esqueçamos o Goofus Bird, pássaro que constrói o ninho ao contrário e voa para trás, porque não lhe importa aonde vai, mas sim onde esteve.”
Escadas e pássaros que andam para trás, parecendo importar-lhe apenas o passado, vendo as coisas regressarem e não se perdendo de vista.
Cortazar explica que é preciso olhar muitas coisas desta forma, subindo para trás: uma boca, um amor, um romance... Mas ele mesmo adverte para tomar cuidado: é fácil tropeçar e cair; há coisas que só se deixam ver quando se sobre para trás e outras que não querem, têm medo dessa subida que as obriga a despir-se tanto; obstinadas em seu nível e em sua máscara, vingam-se cruelmente de quem sobe de costas para ver outra coisa...
Já disse em outro texto que por trás de andar para trás, é o medo da rota pela frente que alimenta a vontade de querer voltar de onde, possivelmente, nunca se conseguiu sair.
Visitar o reino do ignorado exige um voo sem melancolia.

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