ESCRITOS DO GABRIEL

(Tentar que nossas palavras sejam, através de nós ou, quiçá, apesar de nós.
Meus textos, meus rascunhos com erros... )



"Então, um dia comecei a escrever, sem saber que estava me escravizando para o resto da vida a um senhor nobre, mas impiedoso. Quando Deus nos dá um dom, também dá um chicote – e esse chicote se destina exclusivamente à nossa autoflagelação."

Introdução do livro Música para Camaleões, de Truman Capote.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Promoção!

Quer ganhar o livro "Suicidas - Os modos de falar à parede" do escritor argentino radicado no Brasil Gabriel Gómez? Sim?
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Leia o livro em formato digital, AQUI gratuitamente:

Responda estas 3 perguntas para o e-mail atendimento@designeditora.com.br:

1. Que poema homenageia a vida e obra da poeta Alfonsina Storni?
2. Que poema homenageia Van Gogh?
3. Que poema é dedicado para Ana Cristina Cesar?

Pronto, se as respostas estiverem corretas, você receberá o livro impresso, gratuitamente, em sua casa.
Página oficial do livro no Facebook: AQUI

Design Editora: digital e impresso.

Pela metade

Tenho uma palavra pela metade
que não posso escrevê-la,
já que não está completa.

Não aparece nem a ponta
daquilo que representa.

Mas ela está aí,
esperando para concluir,
querendo de mim
o que quer que seja:
um dizer, sua interpretação,
o corpo e sua cabeça.

Mas eu não sei,
nada sei sobre ela.

Apenas que está pela metade
e justo aquilo que falta,
é o que eu tenho dela.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Cartas


As cartas não contam nada
como alguns acreditam.

As cartas, como Rubem Alves disse,
são para que mãos separadas se toquem
na mesma folha.

Que separam?
Não sei.

Mas transbordam palavras,
perseguem histórias
e apenas sossegam
quando reveladas.

Que revelam?
Não sei.

Algumas, só lidas pelo fogo,
não chegam a outras mãos
e ardem mudas,
consumidas.

Que calam?
Não sei.

E voltam a guardar segredos
E se anunciam
com outros nomes,
outras tintas
e a mesma morte.

Assim como o silêncio?
Talvez.
(Não convém lembrá-los.)





quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Espaço da Cultura



A Revista Sucesso fez uma matéria da nova programação do Canal 3, Cabovisão. A foto é do bloco dedicado à Cultura (ou à falta que ela faz em nosso município...) que faço todas as quartas-feiras, 18:30h. 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A capa...

Recebi 1 (um) exemplar da editora (Design Editora) do meu quinto e novo livro que logo já estará nas livrarias do sul do país (Curitiba, Catarinense, etc) e pela Amazon...
De primeira mão, a capa do "Suicidas: Os modos de falar à parede".
Detalhe: é meu primeiro livro "Pocket".

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Suicidas - Os modos de falar à parede

Meu próximo livro "Suicidas - Os modos de falar à parede", já está na editora.
A seguir o texto na contra-capa escrita pelo poeta Cristiano Moreira:


A urgência que assoma ou assombra estes suicidas de
Gabriel Gómez é o convite ao cortejo de corpos neste ataúde-livro.
O luto está nas letras impressas, máculas
sobre o papel branco, porta voz dos suicidas,
aqui calados em negra tinta.
A nós, leitores, cabe o gesto de abandono próprio
para acompanhar as variações humanas contidas
neste volume.
Diante de cada suicídio, a pressa, a raiva,
a tormenta que ainda assim convida à vida,
a sobrevida em cada salto, em cada
vazio entre as palavras, em cada conto ou poema,
a encomenda.
Aqui cada leitura é tentativa de salvação
momentânea, de ressuscitar o texto e quando for
impossível estancar o silêncio, então amigos, é a hora
exemplar de retomar a leitura.

Cristiano Moreira

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Autografados e abandonados (Desculpa Bioy...)


“Ocasionalmente as obsessões permitem
a grande obra. Quem sabe de que livro
estamos lendo agora os rascunhos.”
Adolfo Bioy Casares


Borges e seu amigo Bioy Casares


Entre os diversos livros da biblioteca, guardo um lugar especial para aqueles autografados. Levam a marca e respiram o ar do tempo em que foram datados. Sinto-me transportado àquela hora. Outros, incompreensivelmente, mesmo com assinatura e dedicatória para seus leitores, foram esquecidos e deixados de lado em algum sebo.

Que destino ou castigo imposto levou alguém a abandoná-los? Tomavam muito espaço ou a nova cor amarela das páginas não sustentou sua nova leitura? Prometeram uma literatura que não foi cumprida? Qual foi a falha? Onde foram vencidos seus acertos? Que caminhos percorreram até perder-se da estima? Talvez até contem uma história mais curiosa e triste que a do próprio livro. Sinto-me na obrigação de resgatá-los, como se estivesse devolvendo ao autor, e a suas páginas, o carinho e respeito que tiveram na hora da sua assinatura.

Antigos e contemporâneos convivem em harmonia com assinados rejeitados comprados de terceiros. Assim como o filho perdido que volta pra casa. Mesmo adotados, são próximos e amados por igual. Em muitos outros, que guardo com mais zelo ainda, aparece meu nome. Sempre exerceram grande fascínio e foram utilizados com diversos propósitos, assim como suas dedicatórias. Mas quero enfatizar uma. Ela sempre chamou minha atenção e fez que especulasse infinitas conjunturas e perguntas a partir dos detalhes registrados na página do livro.

Dono de uma vasta obra onde a fantasia e a realidade se superpõem com harmonia magistral, o escritor Adolfo Bioy Casares não pára de me surpreender. E deve ser em parte por isso que possuo, justamente dele, uma das “dedicatórias” mais curiosas e inusitadas. Suspeito que foi na 6º exposição da Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, já que o carimbo ainda consta numa das páginas.

A impecável construção de relatos fez com que, em 1990, conquistasse o maior galardão literário da língua espanhola: o prêmio Cervantes. Bioy era rico, pertencia a uma família tradicional.

Sua fama de galã e conquistador extrapola também sua bibliografia. “Comecei a escrever para seduzir as mulheres. Elas estão sempre na origem de tudo”, confessou. E claro que diversos fatos da sua vida e obra retratam e confirmam este perfil. Casado com a escritora Silvina Ocampo, construiu, junto com Borges, um dos pilares mais fortes e renovadores da literatura de ficção Argentina e mundial. Escreveram individualmente e a quatro mãos, adotando o nome de H. Bustos Domecq e B. Suárez Lynch. Bustos fora um tataravô de Borges e Domecq um tataravô de Casares. “A invenção de Morel” (1940), a mais reconhecida obra de Bioy Casares, foi claramente a inspiradora do bem sucedido seriado americano “Lost”. Numa clara referência e homenagem, um dos capítulos exibe um dos protagonistas e habitantes da ilha lendo o referido livro.

Por muitos anos Borges e Bioy lideraram o cenário literário - intelectual. Sua escrita, amizade e gostos se fundiam de forma recíproca, no cordial papel de mestre e discípulo.

Não posso deixar de citar um comentário do seu contemporâneo, Julio Cortazar, a uma de suas obras: “Poderia ter sido algo grande, mas malogra parcialmente pela excessiva assimilação da técnica do papai Borges e de seus temas”.

“Adolfito”, como era conhecido pelos amigos e família, um dos escritores de mais prestigio e sedutores da sua época, não escondia sua paixão pelas mulheres. Silvina, também rica e onze anos mais velha, sentia orgulho da sua conquista. Compartilhavam assuntos literários e certa burla para convenções sociais. Mas defendia seu “troféu” até de suas amigas mais intimas. Nem sempre ganhava... Com o tempo acabou aceitando suas diversas amantes, aventuras superficiais, como ela mesma definia, enquanto não ameaçassem a estranha e estável união intelectual. Um dos casos mais conhecidos e duradouros foi aquele que manteve com a bela Elena Garro, esposa do escritor mexicano e prêmio Nobel de Literatura, Octavio Paz.

Silvina possuía um particular encanto que contrastava com aquilo que a si mesma considerava como “fealdade”: “Onde quer que eu vá com esta cara?” perguntava. Impossibilitada de dar um filho a seu marido e, com medo de perdê-lo, acabou concordando em adotar Marta Bioy, filha de Adolfito com uma de suas amantes.

Diversas histórias com suas mulheres faziam parte já do folclore literário. “Bioy teve amantes que o freqüentaram até o dia da sua morte”, confessa no seu livro “Os Bioy”, Jovita Iglesias, fiel empregada da casa, amiga da família e que trabalhou com o casal por quase cinqüenta anos. “Tenho um defeito, Jovita, uma grande debilidade: gosto tanto de mulheres, que se a um pau de vassoura fantasiassem de mulher, iria atrás desse pau de vassoura.” Esse tipo de confissão não era raro para ela, mas não acontecia com amigos como Borges, onde autores, obras e escritos eram quase a exclusividade dos temas das conversas. E por esta popularidade e fama é que a dedicatória que fez no exemplar do livro “Cuentos breves y extraordinários” (Editora Losada, 2º edição), recompilada juntamente com Jorge Luis Borges, toma uma dimensão diferente.

Nele textualmente está escrito:

“Para Nora Mónica Marcalain,
muy cordialmente
Adolfo Bioy Casares (sua assinatura), 1980
44 - 6586 después de las 11 a.m.”.


O telefone aparece riscado uma vez e logo escrito novamente de forma clara... Não vou indagar nem querer saber quem era a tal Nora... Mas arrisco a perguntar: - por que junto a uma dedicatória, um telefone e até o esclarecimento da melhor hora para ligar? Que telefone era esse? Por que depois das 11 a.m.? Por que tudo isto escrito num livro e não numa outra folha qualquer? Qual é o verdadeiro sentido deste recado? Por que parecendo uma coisa tão pessoal e atenciosa, Nora Mónica Marcalain, se desfez dele? Talvez o tempo tenha apagado o interesse, ou faça parte de um passado que não faz questão lembrar. Por que está comigo como mais um livro-filho desarraigado? E eu cobrando ainda alguma ingênua explicação...

Perguntas que talvez não tenham nunca uma réplica coerente.

“A vida consiste em adaptar-se à incoerência”, com certeza me responderia. Mesmo assim parece curioso, e de fato o seria, em circunstâncias normais.

Coincidentemente (ou não) tenho uma folha original das memórias de Bioy (que publicou em 1994 com também alguns bastidores amorosos). Nela, claramente altera e emenda, corrigindo à mão com sua caneta, algumas palavras do texto escrito à máquina. Comprei de um antigo colecionador de livros, documentos e manuscritos em Buenos Aires. Casualidade também ou não, seu escritório fica defronte ao apartamento de Borges, na rua Maipú. Por ironia do destino, justamente nessa folha, conta que seu interesse pelos sonhos começou quando seus pais tiraram dele um cachorro que tinha ganhado numa rifa. Eles, que não queriam o bicho, asseguraram que não existia o tal cachorro. Que possivelmente o teria sonhado...

A tal ironia é que tanto no manuscrito que tenho como no livro depois publicado, o nome do cachorro era “Gabriel”. Provavelmente, uma fantástica e premeditada vingança no tempo, por possuir agora justamente o livro que faz jus àquela fama de conquistador... Ou estarei novamente fabulando? “A gente afirma que muitas explicações convencem menos que uma só, mas a verdade é que para quase tudo existe mais de uma razão.”, justificaria. E seria uma boa saída para esta história de amores, literatura e memórias.

“Que agradável seria a vida se terminasse um pouco antes da morte...”, disse na voz de uma das suas tantas personagens. O último aristocrata das letras argentinas faleceu aos 84 anos em 1999.

Mas sou o “cachorro” que espalhou a tal dedicatória, o telefone e recado... Que possui o referido volume e divulgou mais esta “prova”.

Estamos quites agora.

Desculpa, Bioy...

Obs: A citada folha autografada do livro e o manuscrito corrigido de Bioy Casares continuam comigo para atestar a veracidade ante qualquer cético leitor.




(Do meu livro "Borges e outras ficções") 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Daquilo que não sentimos quando rezamos

                         
Veio de criança para o país. Ninguém mais conseguia distinguir algum sotaque. Muitos nem sabiam que era estrangeiro, por isso ficaram surpresos quando, no dia que faltou sua companheira, pediu para rezar naquela língua desconhecida por todos.

- As orações que aprendemos na infância, são impossíveis senti-las em outro idioma - justificou.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

De onde para onde pulastes, David?

No próximo mês de setembro completa-se mais um ano do suicidio de DFW. Segundo o laudo da polícia ele pregou um cinto num suporte de madeira do telhado dos fundos do quintal da casa, amarrou seus punhos com fita adesiva, morrendo lentamente sufocado. Tinha dito que não é mera coincidência que adultos que se suicidam com armas de fogo quase sempre atiram na cabeça. Apontam e atiram no terrível mestre. E a verdade (era verdade?), é que a maioria desses suicidas estão mortos muito antes de puxarem o gatilho.
Não estavas morto David. Estavas? De onde para onde pulastes? Os jornais dizem que foi depressão. Depois de traduzir, escrever e interpretar tantas pessoas deprimidas. A forma e textura da sua dor, os sistemas de apoios, fragilidades: “A pessoa deprimida estava com uma dor terrível e incessante e a impossibilidade de repartir ou articular essa dor era em si um componente da dor e fato de contribuição para seu horror essencial”.
A crítica já tinha dito que poderias fazer o que quisesses: algo triste, divertido, descabido, arrebatador ou absurdo com igual mestria; tudo ao mesmo tempo. E o pior é que você o fez, David. Com certeza teve algum pedido de ajuda que não soubemos ler, pensamos que era simples e genial criação literária. Afinal, o que você considerou David? Qual foi tua verdade de v maiúsculo que decidiu como ias tentar ver? O truque não era mantê-la evidente na consciência diária? Vidas distintas, distantes, dias ausentes como dias iguais. Já tinhas antecipado que a verdadeira liberdade é a constante e torturante sensação de ter tido, e perdido, alguma coisa infinita. Perdemos todos, David, mas tua literatura foi mais importante que tua morte.  Isto continua sendo aquela água para o peixe, que como tudo o essencial, passa inadvertido, permanece escondido para nós, e não conseguimos enxergar por obvio e absoluto. Mas é vital, David, é vital. Isto é água! Lembrar e reconhecer sempre que isto é água!  Mas que também é só mais um lugar comum e banal, como teu refugio preferido, as extensas e exaustivas notas de rodapé.
Teremos apenas que lembrar que nossas trincheiras diárias, comuns, triviais, podem ter a importância de vida ou morte.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Espaço para a cultura

Na RS TV
Em breve no novo jornal da RS TV, Canal 3, e por um convite da sua direção, apresentarei um novo espaço falando de cultura.
Cultura é um processo em permanente evolução, diverso e rico. É o desenvolvimento de um grupo social, uma nação, uma comunidade; fruto do esforço coletivo pelo aprimoramento de valores espirituais e materiais estando em permanente processo de mudança. Por isso, as mais diversas expressões da nossa arte local serão retratadas a partir das 18:30h.
Esperamos sua audiência e sugestões de pauta.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ação cultural homenageia escritores do Alto Vale

Na noite de quarta-feira (25) a Biblioteca Dante Alighieri e o curso de Letras promoveram uma ação cultural para homenagear os escritores do Alto Vale do Itajaí.

Acadêmicos dos cursos de Pedagogia e Letras participaram de um debate com os escritores que fazem parte da Associação dos Escritores do Alto Vale do Itajaí, no auditório da FAMESUL. Na oportunidade conheceram os objetivos e ações da Associação expostos através de material impresso e acervo bibliográfico. Os escritores  Gabriel Gómez, Rodrigo Horst, Rodrigo Warth, Celi Wolff, Tânia Moratelli e  Ivo Ferrari participaram do debate sobre o processo de escrita. O compositor e músico Vando compôs uma canção especialmente para o evento “O pensamento é o céu”, referindo-se a imaginação que a palavra escrita pode proporcionar.

Hiris Lucilene Scharf Scheller, aluna do curso de Letras avaliou o evento: “A ação foi construtiva. Ficou claro que precisamos saber ouvir, falar e ler  para escrever”.
O escritor Gabriel Gómez disse que não existe base sem a leitura e que é preciso escrever com prazer e não como obrigação: “O escritor é a metade do livro, a outra metade é o leitor”.
Jonas Felácio Júnior falou da importância da ação cultural da noite de 25 de julho: “Temos grande valores regionais e este é o momento de mostrar a todos o potencial da região”. A Associação lançou um desafio para os alunos do curso de Letras para planejar a participação na Feira do Livro que acontecerá em outubro em Rio do Sul.

O diretor Pedro Kloch encerrou a atividade agradecendo e parabenizando os escritores e alunos que participaram da ação cultural em homenagem ao Dia nacional do Escritor. Depois do debate foi oferecido um coffe break aos participantes.


Eunice Maria da Silva - Comunicação e Marketing Famesul


terça-feira, 24 de julho de 2012

Palestra no dia do escritor

Os escritores da cidade de Rio do Sul e da Região Metropolitana do Alto Vale do Itajaí receberão uma homenagem especial, no próximo dia 25 de julho. O evento intitulado “Ação Cultural - Dia do Escritor”, será promovido pela Biblioteca Dante Alighieri do Grupo Uniasselvi/Famesul, a partir das 19h30, no auditório da Faculdade em Rio do Sul.

Alguns associados e sócio-fundadores da Associação de Escritores do Alto Vale do Itajaí, já confirmaram presença nas atividades, para compartilhar as suas experiências no universo literário. É grande a expectativa para a realização desta primeira edição do projeto, que pode ser prestigiada por toda a comunidade.

É fundamental salientar que são raras as ocasiões, onde o público-leitor tem a oportunidade de conversar com os escritores, para debater curiosidades, referentes aos procedimentos de elaboração dos escritos, impressão de um livro e sua posterior divulgação.

Durante a Ação Cultural - "Dia do Escritor”, os escritores vão comentar ainda, os motivos que os incentivaram a vivenciar o desafio de escrever um livro e de compartilhar os seus escritos, com a sociedade.
É importante destacar que já confirmaram presença na programação, o presidente da Associação de Escritores do Alto Vale do Itajaí, Ivo Ferrari, o diretor de eventos da entidade, Gabriel Gómez, que é o autor rio-sulense que mais publicou obras literárias, nos últimos anos, além do associado, pesquisador e historiador, Rodrigo Wartha, que publicou recentemente um livro sobre a história de Rio do Sul, em parceria com a escritora e historiadora, Cátia Dagnoni. Outros escritores ainda estarão confirmando presença, até o dia do evento literário.

Antecipadamente e já prevendo o sucesso deste grandioso evento literário, a Associação de Escritores do Alto Vale do Itajaí parabeniza a Bibliotecária e Coordenadora Marta Rejane Trindade de Lima e toda a direção da Famesul, pela promoção desta nobre iniciativa. Que o exemplo possa ser seguido, por outras entidades e instituições de ensino, visando sempre à valorização dos escritores, principalmente, em âmbito regional.

Texto do Jornalista Jonas Felácio Júnior


segunda-feira, 16 de julho de 2012

20 anos sem Piazzolla

Neste mês de julho que estou alguns dias em Buenos Aires, completa-se 20 anos sem o saudoso mestre Astor Piazzolla.
Poderia procurar e colocar aqui uma das mais significativas e emocionantes composições dedicadas ao falecimento do seu pai: “Adios Nonino”, tocada pelos inúmeros grupos que o acompanharam em diferentes etapas da sua musica. Mas não. Queria refletir o que sinto sempre que paro para ouvi-la. Achei a que foi interpretada no casamento da argentina Máxima Zorreguieta com o príncipe herdeiro da Holanda, Wilhelm. Tente segurar a emoção.

Até a volta...





quarta-feira, 27 de junho de 2012

Público

O poeta não deve ter e sobretudo não deve procurar aquilo a que se chama um público; só pode ter — não pares, isso não significaria nada neste contexto, nem sequer semelhantes: precisaria de idênticos e isso não existe — digamos, então, equivalentes e isso encontra-se, não se procura.


- Pierre Reverdy

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Rastros



Colocas a mobília onde olhas, espalhas gestos pelo chão, encolhes, andas imóvel pela casa, os cheiros tocam fogo na cara, se fundem, dissolvem a luz desta loucura, tentam olhar outra cor passageira que não habita, que não sabíamos antes (mas que é tua). A porta me vigia, não há atalhos. Nela não aparece tua ida, que ainda posso tocá-la com as mãos.  Agora também andas pelo texto, cavando, e é provável que não escapes desta página, da parte de trás da letra, traço, fazendo parte de tudo o que cabe e está vazio. Mas cala. Agora que tudo é quase outra coisa onde nada havia. Não me engano se te escuto. Para os outros apenas minto quando digo: ela não mora mais aqui.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Animais que domesticamos


Vamos desabitando paredes artificiais,
refúgios contra ataques, privacidades.
Vamos despovoando tipologias,
limitações, espaços íntimos, reservados.
Vamos movimentando vidraças, muros,
cortinas que afastam, mobiliários.
Vamos inabilitando quartos, terraços,
varandas, jardins ocultos, ocupados.
Vamos desertando territórios, paisagens,
cenários sólidos, lugares.
Vamos arrancando disfarces, anonimatos,
identidades.
Vamos abrindo chaves de portas,
cadeados, algemas das mãos.
Vamos soltando maçanetas, amarras,
cadarços de sapatos.

Vamos mudando para partir.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Prêmio Sucesso Empreendedor na Cultura

Maior premiação do empreededorismo do Alto Vale destaca o potencial de empresários da região

Uma noite de homenagens, reconhecimento e muita comemoração. Esse foi o resultado da segunda edição do Prêmio Sucesso Empreendedor que premiou 18 empresários do Alto Vale do Itajaí.

Cerca de 300 pessoas participaram do evento promovido pela revista Sucesso S/A e realizado no Esporte Clube Concórdia, em Rio do Sul, na sexta-feira, 18 de maio.
O prêmio foi organizado em categorias de acordo com diferentes setores empresariais, além das categorias destinadas às microrregiões do Alto Vale e o Destaque na Internet, que contou com a votação através do site da revista Sucesso S/A. Os demais vencedores foram eleitos por um júri de excelência, composto por empresários e profissionais liberais de relevância no mercado do Alto Vale do Itajaí.
O evento contou com jantar à francesa e a empolgante apresentação cover de Elvis Presley. Após a cerimônia de entrega dos troféus e certificados, o público dançou ao som da banda Curingas durante a madrugada.




Vencedores do Prêmio Sucesso Empreendedor 2012:
 - Sucesso Empreendedor do Ano: Silvio Prim (Proaço Estruturas)
- Sucesso Empreendedor Destaque da Internet: Unidavi
- Sucesso Jovem Empreendedor: Riciéri Ramlov (Atacado Juriel)
- Sucesso Empreendedor na Cultura: Gabriel Gómez ( Escritor - Jornal A Cidade)
- Sucesso Mulher Empreendedora: Helena Frahm Perfoll (NH Indústria e Comércio)
- Sucesso Empreendedor em Serviços: Miguel Delonei Berres (Delsoft Sistemas)
- Sucesso Empreendedor Socioambiental: Frigorífico Riosulense S/A
- Sucesso Empreendedor no Agronegócio: Harry Dorow (Cravil)
- Sucesso Empreendedor Arquitetura, Construção e Decoração: Nelson Regueira (RD Construtora e Incorporadora)
- Sucesso Empreendedor na Saúde: Rodrigo Gadotti (Gadotti Odontologia)
- Sucesso Empreendedor Têxtil: Orlando Molinari (Monnari Jeans)
- Sucesso Empreendedor no Comércio: Osnei Rahmeier (Siga-Bem Distribuidora)
- Sucesso Empreendedor na Indústria: Horst Bremer (H. Bremer)
- Comenda do Mérito Empreendedor: João Stramosk (Metalúrgica Riosulense)
- Sucesso Empreendedor na Região que abrange os municípios de Atalanta, Aurora, Chapadão do Lageado, Imbuia, Ituporanga, Petrolândia e Vidal Ramos: Silvio Prim (Proaço Estruturas)
- Sucesso Empreendedor na Região que abrange os municípios de Mirim Doce, Pouso Redondo, Rio do Campo, Salete, Santa Terezinha e Taió: Adinei Sandri (Grupo Sandri)
- Sucesso Empreendedor na região que abrange os municípios de Dona Emma, Ibirama, José Boiteux, Lontras, Presidente Getúlio, Presidente Nereu, Vitor Meirelles e Witmarsum: Genésio Ayres Marchetti (Manoel Marchetti Indústria e Comércio)
- Sucesso Empreendedor na Região que abrange os municípios de Agrolândia, Agronômica, Braço do Trombudo, Laurentino, Rio do Oeste e Trombudo Central: Rolando Arnold (Industrial Rex)
- Sucesso Empreendedor Destaque do Estado: Luciano Hang (Havan)

(Revista Sucesso S/A)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Que nem eu


Um dia você abrirá os olhos, que nem eu. Acordará em qualquer lugar, suponhamos que aqui, neste triste espaço íntimo, parte do seu todo, objeto de repouso invisível, que nem eu. Por esta vez dirá, terei que esperar, e sentada, esperará. Então você pensará em contar, um, dois, três, até quanto acreditar que possa demorar. Mas não contará. E você pensará, não tenho paciência em contar, mas já que estou sentada, vou esperar sem calcular o tempo. Mas você não terá calma nem tempo para regular. Estará impaciente, calculando inconsciente toda espera, e tentará não pensar nisso, e possivelmente dirá, não sei há quanto estou aqui, mas vou ficar imóvel, talvez em transe a fila ande, e aí tudo aconteça sem perceber, e assim você fica. E quando se mexer, novamente, um pouco antes do então, num gesto singular, não haverá mais animação nem pausas para simular o alimento no deserto. Nem tempo para esperar. Estará excessivamente sozinha, e então você será como eu, depois nunca mais.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Veja a revista

A nova revista "Ruído Cultural" já está circulando. Sou o responsável por três páginas dedicadas a livros e leituras.

Para ver (e ler) todo seu conteúdo vai por AQUI

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Lançamento Revista Ruído Cultural


Quinta-feira, dia 3, será o grande lançamento da Revista Ruído Cultural (no Bituin). Participo com 3 páginas dedicadas a livros e literatura.
E assim como fala sua proposta, a Ruído Cultural é uma revista distribuída gratuitamente  com a linha editorial focada na Cultura & Comportamento.
Seu objetivo é fazer com que as pessoas tenham acesso facilitado à Cultura de nossa região, além de matérias atraentes, conteúdo relevante, design diferenciado e um espaço onde possam mostrar aquilo que fazem. Nós acreditamos, que desta forma, elas comecem a valorizar cada vez mais a cultura e as artes de forma geral, prestigiando mais eventos, sendo mais críticas e inclusive, cobrando mais espaço para do poder público e dos órgãos ligados à cultura.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Salto duplo (2)

Não se arriscava a pular
sem a rede de segurança.

Era um jeito de aparentar
o perigo que corria.

Embora a verdadeira façanha,
foi ocultar habilmente
as asas,
nas precárias roupas de trapezista.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Salto duplo

Figuras, movimentos, apoios e saídas.
Giros, balanços, travas
sem contato do chão.
Não sei quantas voltas já dei,
mas justamente falhei
no salto duplo sem rede.

Fui um acrobata que no final
não encontrou mais tua mão
no pulo que inaugura esta morte.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Só empresto o que puder presentear

“Liberdade completa ninguém desfruta, mas, nos estreitos
limites a que nos coagem a gramática e a lei, ainda podemos
nos mexer”.
Graciliano Ramos


Odeio emprestar livros. Gosto de tê-los comigo, de relê-los se quiser, de tocá-los e sentir o cheiro da sua presença. Saber que eles estão aguardando, que já foram lidos e ainda esperam renovados a cada leitura. Mas como nunca consegui não emprestá-los, fiquei sem alguns e acabei perdendo não só o livro como a memória das pessoas a quem o emprestei.
Pensei fazer igual ao tempo dos antigos e valiosos manuscritos, onde era costume escrever pragas nos livros, amaldiçoando quem os furtasse. Cheguei até copiar um texto daquela época para colocá-lo em qualquer página e quando menos o leitor esperasse, dar de cara com a mensagem:
A quem furtar um livro da minha biblioteca, que se transforme em uma serpente suas mãos e o subjugue, que seja atacado por paralisia e todos os seus membros sejam amaldiçoados. Que agonize em dor, gritando perdão. Que não haja descanso para sua agonia, até que se afunde na dissolução. Que os vermes de livros roam suas entranhas...”.
Mas ninguém precisou agonizar, ser atacado ou roído pelo remorso. Muito menos pedir perdão por isso. Entendi que, ao longo do tempo, nossa memória vai formando uma biblioteca díspar, feita de livros, lembranças ou de páginas soltas, e tal vez em essas páginas esteja já o essencial, e cuja leitura foi uma felicidade e que gostaríamos inconscientemente de compartilhar. Classificar minha biblioteca foi uma maneira silenciosa de exercer o artifício do meu julgamento e, com ele, poder dividir meus gostos.
Comecei emprestando aqueles sem os quais eu poderia viver. Mas a dor foi de flagelo. Essa norma foi logo substituída por outra que descobri com a perda: só empresto o que puder presentear. Mesmo sabendo que ainda que comprando muitos outros, não serão nunca como esses. Que é um livro, se não o abrimos? Eles guardam parte de nós e merecem nosso cuidado. Um único livro ameaçado ocasiona uma perigosa perda na biblioteca universal. Eles eternizam nossa memória. Por isso acredito estar cercado de belas metáforas.
Talvez cada um de nós seja uma mera letra no complexo texto cifrado do universo. De fato deixei de emprestar livros, agora só os dou. E foi isso o que fiz quando soube da idéia de fazer uma biblioteca no presídio municipal.
Uma pesquisa da Universidade local tinha levantado que a leitura estava sendo feita só no pavilhão dos ‘isolados’, onde ficam os presos que, por uma razão ou outra, não podem deixar suas celas. Lá circulam, num caixote, velhos livros emprestados uma vez por semana, uma iniciativa que poderia estimular a todos agora, com a campanha de arrecadação. Ela coincidiu com o final da faxina na minha biblioteca e com a vontade de pôr ordem no caos literário de anos. Sem ordem, uma biblioteca seria um simples depósito de livros. Um caos no qual, às vezes, podemos suspeitar que exista uma outra ordem. Cada livro revelado ao lado de outro, e este, ao lado de um terceiro, ramificando-se pelas prateleiras, ganha vida própria, multiplicando-se entre estantes e corredores, procurando a biblioteca ideal, completa, inconcebível. Quando a vida cai, o mundo se desvanece e a biblioteca, iluminada por suas vozes, vira meu paraíso. Livros abrem portas, entortam vigas e podem levar à liberdade absoluta. Na biblioteca descobri minha tábua de salvação, meu antídoto, minha lâmpada dos pedidos e desejos. Uma ilha, na qual ancorei. Uma ilha chamada livro, à qual gostaria que chegassem as respostas escondidas, quando tudo o que ela consegue fazer é me trazer mais desejos. Livros me sacodem, mordem e me ferem como a mais dolorosa das desgraças, e me recuperam com o remédio diluído na tinta preta impressa no papel. No acúmulo e no desprendimento, achei minha companhia e meu consolo.
Entre os que primeiramente separei, fiz uma melhor seleção com aqueles que se encaixariam no perfil do suposto novo leitor. Fiquei realmente feliz ao descobrir livros de cuja existência não lembrava e que, todavia, se revelam extremamente importantes para mim. Na verdade, minha preocupação tinha mudado, querendo encontrar alguns, tentando adivinhar gostos e preferência de quem pudesse lê-los.
A classificação aumentava e diminuía, descartava ou incluía e comecei a perceber que justamente aqueles que não tinham entrado na lista eram os que melhor ou mais facilmente seriam assimilados por eles. Mas afinal, a limpeza ou a escolha? Tentei ser imparcial e depois liguei para que alguém passasse a recolher minha doação.
Naquela mesma tarde um detento, daqueles que passam só a noite na prisão, veio em casa. Timidamente subiu a escadaria em caracol, à esquerda da entrada que leva até uma galeria com um pequeno piso de madeira que dá para a sala de leitura com estantes de livros alinhadas. Algumas delas apanhando poeira.
– Sua biblioteca parece ser enorme. Sua casa toda parece ser uma biblioteca... – falou notadamente surpreso, enquanto o imaginei olhando de cima para baixo a distribuição das prateleiras.
– Agora que está um pouco mais em ordem, assusta menos – respondi em tom de exagero – Tem que ver na confusão como parece um labirinto feito de colunas de volumes empilhados querendo engolir leitores... Muitas vezes me perdi em meio a velhos tomos de edições esgotadas, gravuras do século passado e enciclopédias as quais eu cheguei a ler como a um livro desde a letra “A”.
– O senhor parece feliz e empolgado quando fala dela...
– Quem conhece a biblioteca, conhece diversas felicidades, meu jovem...
Acredito que tenha ficado surpreso diante dos espelhos que propositalmente duplicavam as prateleiras até o infinito, e que agora cercam o mundo real de sombras e luzes a que estou acostumado. Quanto mais eu falava, mais ele parecia extasiado, demonstrando-me sua admiração por cada detalhe da sua estrutura. Ela possui em si a potencialidade do mágico. Em algum lugar dessa fabulosa arquitetura, existe uma porção diabolicamente divina ou uma chave que abre a porta do prazer desconhecido. E ele agora parecia estar descobrindo esse feitiço em cada passo que dava. Aqueles que eu já tinha escolhido estavam separados. Na realidade não sabia quantos eram exatamente, nem o título de todos. E foi justamente isso o que ele acabou perguntando:
– Sua doação parece ser a maior até agora. Quantos livros o senhor está doando?
– Na verdade não sei. Comecei a selecioná-los e não contei quantos...
– E no total, o senhor sabe quantos livros tem?
Poderia ter arriscado qualquer número parecido a cinco mil que a pergunta estaria respondida sem questionamentos, mas preferi não revelar nenhum número e responder que só quando terminasse minha arrumação poderia saber com exatidão.
– O senhor realmente quer doá-los? Não irá sentir falta?
– Possivelmente, mas é preciso decidir se queremos proteger e exibir os livros ou dá-los a ler. Ainda que não saibamos, sempre estamos voltando a ler o mesmo. Faço questão de dar aqueles que possivelmente tenho duplicados ou que agora possam ser mais úteis aos outros que a mim.
Poderia também ter argumentado que cada geração escreve o mesmo texto, conta o mesmo conto, publica em definitivo o mesmo livro. Com uma pequena diferença de voz, modulação ou acento gramatical... Que em todos meus anos de leitura, não concordei com muitos deles, embora sempre tenha percebido algo de sagrado e imortal na sua composição; mas preferi guardar algumas justificativas para mim mesmo.
No tempo que passou visitando os corredores, e enquanto conversávamos sobre minha doação, ele concordou em me ajudar a preencher um formulário com alguns dados, que depois assinei. Não consegui fingir. Confessei que preferiria contribuir dessa maneira, dá-los de presente a ter que emprestá-los e nunca mais vê-los. Que ficaria aflito sabendo que o livro que deveria andar de mãos em mãos continuava parado sobre as mesas ou nas prateleiras, impossibilitado de passar sua mensagem. Morrendo seu autor, a obra, o leitor e minha biblioteca. Ele contou que tinha aprendido a gostar de ler quando teve que cumprir sua pena de forma integral na cela.
– Imagino então que deverá ter outros cômodos, outras áreas cheias de livros....
– Não... Minha biblioteca está na sua frente, grande o suficiente como você pode ver. Os outros cômodos são apenas de leitura...
– Me pareceu ver uma prateleira com só um livro na parte de cima...
– Sim... Ela não é casual. Está com aquele livro que definitivamente não quis saber nada comigo. Sua leitura, seu entendimento e prazer me foram negados. Ele não me ama como leitor, não me escolheu para decifrá-lo e deve ser por isso que nunca consegui passar das primeiras páginas. E como a leitura é uma forma de felicidade, não me esforcei e acabei abandonando-o lá encima. Quem sabe se em outro tempo, quando ele consiga transformar-nos, não alcancemos essa revelação...?
– (...) Bom, agradeço e reconheço sua atitude e desprendimento. Eles serão muito bem aproveitados.
Quando apertou minha mão na despedida, percebi que estava tenso, algo preocupado. Assim que terminou de carregar, fez sua última pergunta:
– Por que fez questão de doar todos seus últimos livros, de ficar só com aquele único perdido na estante?
Fechei com calma a porta, respondendo sua dúvida com um sorriso. Para meus olhos cegos, aqueles livros agora estavam em branco. De todas as coisas que me aconteceram, a menos importante foi a cegueira. Embora seja rodeado por infinitas sombras de prateleiras e o eco de antigas leituras, estou condenado a viver no centro do seu labirinto. Que outra bela sorte me resta? Só aquilo que se foi é o que nos pertence.
Continuo sendo em silêncio a soma do que li e perdi e que ainda guardo como revelação.

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