ESCRITOS DO GABRIEL

(Tentar que nossas palavras sejam, através de nós ou, quiçá, apesar de nós.
Meus textos, meus rascunhos com erros... )



"Então, um dia comecei a escrever, sem saber que estava me escravizando para o resto da vida a um senhor nobre, mas impiedoso. Quando Deus nos dá um dom, também dá um chicote – e esse chicote se destina exclusivamente à nossa autoflagelação."

Introdução do livro Música para Camaleões, de Truman Capote.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Deixando-nos

Vamos-nos deixando em todas as partes.
Em todas as digitais, salivas, beijos, sangue,
feridas mal curadas.
Nas fotos que já não reconhecemos,
nos traços que arrastamos,
no suor, lagrimas
que achamos que limpamos.
Vamos-nos perdendo
nas unhas que roemos,
na urina que destilamos,
na pele que nos escama, nos envelopes que fechamos.
Vamos-nos diluindo
nas águas do banho,
dos rios, nos pelos,
dejetos que escondemos,
na espuma que nos limpa,
na roupa que habitamos.
Fragmentamo-nos em camas, despedidas e
abraços. Estamos no ar, jardins,
em outros corpos, tatuados, no pó,
mesmo antes de retornarmos.
Apodrece o que se cala
com olhos que nunca esquecerias.
Na voz que deixamos na memória
quando partimos, com desapego,
abandonando
o passageiro que levamos.

5 comentários:

Cassandra disse...

Bom Dia!
Como falamos, muuuuito bom!
Este passageiro... ah este passageiro que nos estraçalha por anos, espalhando cacos de emoções que as vezes chegam a ferir... E, depois vai embora, abandonando o que pensávamos ser!
Linda e assustadora visão Gabriel. Romântica e arrebatadora. Real dentro de sua ficção.
Continue sempre.
Beijo.

Gabriel Gómez disse...

Obrigado!
Lendo com outra interpretação, o passageiro pode ser também o que vamos perdendo no caminho...
Beijo!

Marie Myriam disse...

Olá Gabriel, "deixe-me" dizer-lhe que este texto seu está uma delicia!

Gabriel Gómez disse...

Deixo Marie... também, meu abraço de obrigado!

Anônimo disse...

Amei!

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