ESCRITOS DO GABRIEL

(Tentar que nossas palavras sejam, através de nós ou, quiçá, apesar de nós.
Meus textos, meus rascunhos com erros... )



"Então, um dia comecei a escrever, sem saber que estava me escravizando para o resto da vida a um senhor nobre, mas impiedoso. Quando Deus nos dá um dom, também dá um chicote – e esse chicote se destina exclusivamente à nossa autoflagelação."

Introdução do livro Música para Camaleões, de Truman Capote.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Poema e despedida...

Vendo (e comparando) outros Blogs de atualização semanal ou a cada tanto, estou pensando seriamente fazer o mesmo... Escrever e deixar quieto, esperando inspiração ou comentários (o que vir primeiro). Acredito que nem todos conseguem acompanhar tudo (e nem sempre quem atualiza consegue). Muita coisa passa por alto.
Aqui vai o primeiro da nova safra...
E até que o tempo assim o permita.


Mesmo
que a platéia
ainda escute teus versos
e os espelhos
não consigam enumerar
tantos amigos, vultos plagiados, sorrindo.
E os brindes ensurdeçam o cristal,
a música,
a dança;
E o abraço também respire,
a mão seja de corpo inteiro,
o céu responda e suba desde ti
e os hospedes lotem quartos,
jardins e o esquecido silêncio
não levante nem a voz.
Não desesperes.
Não.
Nada nos pertence.
Ninguém pediu esta alegria
a um centímetro do chão.
Então,
espera, confia.
A solidão,
mãe preocupada,
inabalável, paciente,
jamais abandonaria um
de seus filhos.

Dois poemas visuais de Joan Brossa




quarta-feira, 28 de abril de 2010

A poesia em Alcides Buss


“Acredito que a poesia é, de todos os gêneros literários, o que mais exprime a nossa origem e o nosso anseio de humanidade. Acho que a luta diária do ser humano não é apenas uma luta de sobrevivência, conforme escreveu Carl Sagan. Existem outros valores que justificam a existência e a beleza é um deles. A função da beleza torna o ser humano digno de ter um nome, de ocupar um lugar, de existir.
A minha opção pela poesia veio como resposta de meus silêncios interiores. Fiz exercícios com a prosa de ficção. Admiro os bons prosadores. Mas a poesia tem mais a ver comigo, com a minha maneira de estar no mundo. O ficcionista escreve com a cabeça; o poeta escreve com o corpo inteiro. Quando o poeta fala das outras coisas, é como se falasse de si próprio. Assim também acho que meus poemas não me pertencem. Ao contrário, embora esta afirmação possa parecer estranha, eu é que pertenço a eles.”

Trecho do depoimento do poeta Alcides Buss para o livro de Fábio Brüggemann “15 escritores”, Letras Contemporâneas.

sábado, 24 de abril de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Um diálogo de Borges


Do recente livro que comprei, agora traduzido ao português...


OSVALDO FERRARI: Para além de todas as modas do nosso século, o senhor declarou, em um de seus textos, que afortunadamente não possui vocação iconoclasta.

JORGE LUIS BORGES: Sim, é verdade, acho que devemos respeitar o passado, uma vez que o passado é tão facilmente modificável, não é? No presente.


OSVALDO FERRARI: Mas essa atitude de se manter alheio às sucessivas modas iconoclastas, por sua parte...

JORGE LUIS BORGES: Ah, sim, eu acredito que sim; mas é um mau hábito francês pensar na literatura em termos de escolas, ou em termos de gerações. Flaubert disse: "Quando um verso é bom, perde sua escola". E acrescentou: "Um bom verso de Boileau equivale a um bom verso de Hugo". E é verdade: quando um poeta acerta, acerta para sempre, e não interessa muito que estética professe, ou em que época tenha sido escrito: esse verso é bom, e é bom para sempre. E isso acontece com todos os versos bons, podem ser lidos sem levar em conta o fato de que correspondem, por exemplo, ao século XIII, à língua italiana, ou ao século XIX, à língua inglesa, ou que opiniões políticas professava o poeta: o verso é bom. Eu sempre cito aquele verso de Boileau; surpreendentemente, Boileau diz: "O momento no qual falo já está longe de mim". É um verso melancólico e, além disso, no momento em que dizemos o verso, esse verso deixa de ser presente, e se perde no passado, e não importa se é um passado muito recente ou um passado remoto: o verso fica ali. E foi Boileau quem disse; esse verso não se parece com a imagem que temos de Boileau, mas seria igualmente bom se fosse de Verlaine, se fosse de Hugo, ou se fosse de um autor desconhecido: o verso existe por conta própria.


* BORGES, Jorge Luis; FERRARI, Osvaldo. "Os clássicos aos 85 anos". Sobre os sonhos e outros diálogos. Trad. de John Lionel O'Kuinghttons Rodríguez. São Paulo: Hedra, 2009.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Brincadeiras infantis na ilha de Santa Catarina


No programa que participei na TVCOM "Estudio 36" em Florianópolis (que logo postarei aqui), fui entrevistado juntamente com a escritora e pesquisadora Telma Piacentini, autora de "Brincadeiras Infantis na ilha de Santa Catarina".
Brincadeiras de roda, pião, pandorga ou bola de gude encantam as crianças em qualquer época ou lugar. Representações dos jogos de infância estão presentes nas pinturas de Pieter Bruegel (1525-1569) e nos registros de Franklin Cascaes (1908-1983), feitos quatro séculos depois. Parte desse imaginário é o tema desta pesquisa.

O livro é resultado de um estudo sobre as esculturas em barro feitas pelo folclorista Franklin Cascaes, que retratam o legado das brincadeiras e brinquedos da Ilha, surgidos da mescla das heranças culturais luso-açoriana, negra e indígena. Seis esculturas estão publicadas em forma de lâminas avulsas numa reprodução das peças originais do acervo sob guarda do Museu Universitário Oswaldo Rodrigues Cabral, da UFSC.
Para a escritora catarinense a origem das brincadeiras locais está ligada à vasta tradição existente no Ocidente e Oriente. A pesquisadora estabelece relações entre os temas das obras de Cascaes e os jogos lúdicos retratados por artistas como Bruegel, Luca Cranach e Portinari. Segundo ela, algumas brincadeiras da Ilha registradas nas esculturas feitas pelo folclorista catarinense serviam como iniciação ao trabalho: meninos brincando de fabricar farinha de mandioca ou no engenho de açúcar, e meninas rendeiras preparando enxoval.
Com 96 páginas e prefácio de Gilka Girardello, o livro traz ainda verbetes explicativos sobre cada uma das brincadeiras – um trabalho feito pela arte-educadora Patrícia Guerreiro, que recorreu à bibliografia e a depoimentos de populares que traziam na memória lembranças dos jogos da infância.
Para Telma Piacentini, que também se dedica como artista à pintura, ao desenho e à gravura, “as brincadeiras infantis de Franklin Cascaes são como as manhãs de maio da Ilha: iluminadas”. Com Cavalinho de bambu, roda de aro, ciranda de roda e batizado de boneca, entre outras, elas fazem parte do “itinerário da magia”, define a autora.
Telma Anita Piacentini nasceu em Nova Veneza, SC, em 1947. Possui doutorados em Educação (USP) e em Pesquisa na Universitá Degli Studi de Ferrara (Itália) e, no mesmo campo de pesquisa, foi uma das criadoras do Museu do Brinquedo da UFSC, onde é professora da Pós-Graduação em Educação (PPGE/ UFSC).

Agradeço à escritora pela dedicatória e cordialidade de presentear-me com esta importante obra, além de encaminhar meus livros para a biblioteca da Barca dos Livros, localizada nas margens e proximidades da Lagoa da Conceição.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Uma bela crítica a meu livro


Leia AQUI uma bela crítica a minha primeira publicação "A culpa é do livro", feita pelo leitor de Rio de janeiro, Roberto Laaf, no Skoob.

Roberto... a culpa continua sendo do livro... Obrigado!

sábado, 17 de abril de 2010

Borges e Kafka


Duas personalidades da literatura universal, o escritor argentino Jorge Luis Borges e o checo Franz Kafka, estarão juntos na Bienal de artes plásticas, foto e cinema de Buenos Aires, que será realizado na capital argentina entre os dias 19 e 30 de abril em diversos centros culturais.
Escritores e intelectuais de Argentina, Brasil, Uruguai, Bolívia e República Checa estarão reunidos num acontecimento que colocará em destaque a vida e obra de dois verdadeiros cânones da literatura mundial.
A importância da obra de Borges é reconhecida na seleta inclusão de 26 autores que marcaram a literatura mundial feita por Harold Bloom - "O Cânone Ocidental" . Bloom coloca Borges e Neruda (uma companhia que incomoda Borges) dentre os fundadores da literatura hispano americana do século 20. Escolhe o conto "A morte e Bússola" como favorita em o "Cânone", porém em “Como e Por Que Ler”, Bloom indica "Tlön, Uqbar, Orbis Tertius" como um exemplo de conto fantástico, sucessor de Kafka. Para ele, e nós, "Borges encanta-nos e transporta-nos a um mundo de forças impessoais onde a memória de Shakespeare constitui um imenso abismo, capaz de tragar-nos, fazendo com que percamos quaisquer resquícios da nossa pessoa, pg. 53". Bloom coloca Borges, Kafka e Becket (com quem dividiu o prêmio Formentor em 1961, porém Borges limitou-se a ler "Esperando Godot", sem apreciá-lo). Na análise crítica de Bloom, Borges não ocupará um papel central. "Uma comparação de seus contos com o de Kafka, não lhe é de modo algum lisonjeira, mas parece inevitável, em parte porque ele tão frequentemente invoca Kafka. O melhor de Beckett sustenta uma intensa releitura o contrário de Borges. Apesar disto de todos os autores latino-americanos do século 20 ele é o mais universal. Se lemos Borges com frequência e atenção, tornamo-os assim como borgesianos, porque lê-lo é ativar uma consciência da literatura na qual ele foi mais longe do que qualquer outro."

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Hoje entrevista na TVCOM: "Estudio 36"


Hoje estarei novamente em Florianópolis. Desta vez para uma entrevista no progarama "Estudio 36" com a jornalista Camila Olivo da TVCOM SC (RBS TV).

O programa é ao vivo, 20:30h.


Na pauta, o lançamento do meu novo livro "Cerimônias do Silêncio", literatura e esta vida (e orgulho) de escritor catarinense, sendo estrangeiro.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Lista de livros

Lista dos Livros (alguns autografados) que trouxe de Florianópolis, no outro dia, após o lançamento do meu livro ... Uns na troca com os autores, outros recomendados pelo ótimo atendente da Livraria "Livros & Livros", Jonatan Lopes.
A maioria, dos bons autores catarinenses ...

A morte dos Olhos - Contador Borges.
Sentidos / Sinais - Alcides Buss
Elegias Urbanas - Marco Vasques
Extraviário - Dennis Radünz
Dois em Um - Alice Ruiz S
Ensaios ato n o 5 - Cristiano Nagel
Bricolagens para geladeira - Clotilde Zingali
Trêmulo - Ryana Gabech
Os sempre - C. Ronald
O natimorto - Lourenço Mutarelli
Cidades Marinhas - Dennis Radünz
Conversas, diferença n.1 - Julia Studart (org.)
Sadomasoquista - Antologia da Literatura Brasileira - Antonio Pietroforte, Glauco Mattoso.
Livro, Segredo e Infamia - Júlia Studart
15 Escritores - Organização Fábio Brüggemann
Um centro sem imagem - Francisco dos Santos
Jardim dos aromas - Semy Braga
As certezas e as palavras - Carlos Henrique Schroeder
Vazados & Molambos - Laura Erber
Exames de Rotina - Tarso de Melo
Logocausto - Leandro Sarmatz
Mas isso é, um Acontecimento - Demétrio Panarotto
Histórias de Homens casados - Birmajer Marcelo.
99 poemas - Joan Brossa (prefácio de Victor da Rosa)
Sobre a amizade e outros Diálogos - Borges e Osvaldo Ferrari (já tinha em Espanhol)
Sobre a filofofia e outros Diálogos - Borges e Osvaldo Ferrari (idem).
Envie meu dicionário - Cartas e alguma crítica - Paulo Leminski e Regis Bonvicino.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Fotos do lançamento (2)



O escritor João Chiodini autografando "Delírio Real de Um Amor Imaginário", enquanto estou de conversa com Martin Afonso de Haro ... Detrás, de camisa azul, Daniel Mayer, da Livraria" Livros & Livros ".


Com o poeta Alcides Buss.

"Aquele" momento do livro, autor e Leitor ...

Falando sobre ditaduras com o escritor Amilcar Neves (de costas).

Convidados escutando a cerimônia deste silêncio ...

No fundo, os Escritores Demétrio Panarotto e Marco Vasques.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Algumas fotos do lançamento (1)

Fotos do Lançamento do meu livro "Cerimónias do Silêncio" Na Livraria" Livros & Livros ", em Florianópolis, na quinta-feira, 8 de abril.
Poderia citar vários representantes da literatura e cultura do estado que estiveram prestigiando o evento, mas destaco apenas dois escritores que não sairam nas fotos: Fábio Brüggemann, Colunista do Diário Catarinense, escritor e editor, e Dennis Randünz, Poeta, escritor e colunista do Diário Catarinense.

Obrigado a todos!



A artista plástica, escritora e "singular", Ryana Gabech, rindo ...

O escritor e editor Carlos Schroeder aproveitou também para autografar seu último livro "As certezas e as palavras".


O poeta Alcides Buss, o escritor "singular" Marco Vasques (de costas) na fila para o livro autografado ...


Com o poeta e "singular" Cristiano Moreira e o escritor, colunista do" Diário Catarinense ", Amilcar Neves.


Com o poeta "singular" e colunista do Jornal" A Notícia ", Rubens da Cunha e o professor Ítalo Puccini ...



O momento da dedicatoria ...

Em Destaque, a professora, escritora e querida amiga, Regina Carvalho.

sábado, 10 de abril de 2010

Uma lista mordaz: "Dez conselhos para escritores"


A lista mais debochada, verdadeira, ferina e mordaz da série "Conselhos para escritores". Está perdendo quem não sabe espanhol... Seu autor é o escritor argentino Marcelo Birmajer.


1) No declame que escribir lo hace sufrir. En tal caso, abandone la escritura. Hay escritores de sobra, y en los últimos años, gracias al fundamentalismo islámico, tampoco faltan mártires. De modo que no precisamos de ninguna de sus dos condiciones.

2) Si no escribe para los lectores ni para la crítica, no publique. Envíele sus escritos por mail a su abuela. ¿Para qué molestar a correctores, diseñadores y editores, si a usted no le interesa salir de su casa? En cualquier caso, no repita más que escribe sólo para usted mismo. Ya lo dijo Borges, y tampoco resultó verosímil.

3) No repita que la novela se ha agotado como género. Es su imaginación la que se ha agotado.

4) No continúe culpando al mercado, ni a los tiempos que corren, de que nadie quiera leerlo. A usted no lo leerían ni en una sociedad autoritaria que obligara a los niños a leer sus textos so pena de muerte. Al menos, festeje el hecho de que, si bien no le prestan atención, tampoco lo mandan a matar.

5) No se queje de la única adaptación al cine que se ha hecho de su ignota obra. A nadie le ha importado su novela, pero mucho menos su opinión respecto de la película.

6) No insista con que los personajes se le aparecen en el toilette, en la cocina y en la cama. Todos sabemos que miente.

7) En lo posible, procure no llevar un diario íntimo. Dicho implemento se ha convertido en un engañoso género literario. Si quiere publicar sus intimidades, hágalo deliberadamente; pero no obligue a sus herederos a sentirse culpables por revelar secretos que usted indudablemente registró para continuar siendo atendido después de muerto.

8) No declame que no le gusta escribir en computador. Abomine de la tinta, esculpa las letras en piedra, deje su testimonio pintado con sangre de mamut en una caverna. Pero háganos un favor: no siga repitiendo que no le gusta escribir en computador.

9) Nos parece muy bien que abandone la escritura. Pero no lo anuncie. Hágalo directamente, en silencio.

10) No abandone a su esposa por una más joven luego de su primer éxito. Espere al menos a dos o tres éxitos, no sea cosa de que tenga que volver corriendo.


Marcelo Birmajer, escritor argentino. Autor de obras como Tres mosqueteros (Debate) o Últimas historias de hombres casados (Seix Barral).

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Fragmentos de um Evangelho Apócrifo - Jorge Luis Borges


Do livro "Elogio da sombra"

(Percebam que a lista já começa pelo número 3 e pula propositalmente outros tantos...)

3 Desventurado o pobre de espírito, porque sob a terra será o que agora é na terra.
4 Desventurado aquele que chora, porque já tem o hábito miserável do pranto.
5 Felizes os que sabem que o sofrimento não é uma coroa de glória.
6 Não basta ser o último para ser alguma vez o primeiro.
7 Feliz o que não insiste em ter razão, porque ninguém a tem ou todos a têm.
8 Feliz o que perdoa aos outros e o que se perdoa a si mesmo.
9 Bem aventurados os mansos, porque não condescendem com a discórdia.
10 Bem-aventurados os que não têm fome de justiça, porque sabem que nossa sorte, adversa ou piedosa, é obra do acaso, que é inescrutável.
11 Bem-aventurados os misericordiosos, porque a sua felicidade está no exercício da misericórdia e não na esperança de um prêmio.
12 Bem-aventurados os de coração limpo, porque vêem Deus.
13 Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque lhes importa mais a justiça do que o seu destino humano.
14 Ninguém é o sal da terra; ninguém, em algum momento da sua vida, não o é.
15 Que a luz de um candeeiro se acenda, mesmo que nenhum homem a veja. Deus vê-la-á.
16 Não há mandamento que não possa ser infringido, e também os que digo e os que os profetas disseram.
17 Aquele que matar pela causa da justiça, ou pela causa que ele acredita ser justa, não tem culpa.
18 Os atos dos homens não merecem nem o fogo nem os céus.
19 Não odeies o teu inimigo, porque, se o fizeres, és de algum modo o seu escravo. O teu ódio nunca será melhor que a tua paz.
20 Se te ofender a tua mão direita, perdoa-a;és o teu corpo e és a tua alma e é árduo ou impossível fixar a fronteira que os divide...
24 Não exageres o culto da verdade; não há homem que ao fim de um dia não tenha mentido com razão muitas vezes.
25 Não jures, porque qualquer juramento é uma ênfase.
26 Resiste ao mal, mas sem espanto e sem ira. A quem te ferir na face direita, podes oferecer-lhe a outra, sempre que não te mova o temor.
27 Eu não falo de vingança nem de perdões; o esquecimento é a única vingança e o único perdão.
28 Fazer o bem ao teu inimigo pode ser obra de justiça e não é árduo; amá-lo, tarefa de anjos e não de homens.
29 Fazer o bem ao teu inimigo é a melhor forma de satisfazer a tua vaidade.
30 Não acumules ouro na terra, porque o ouro é pai do ócio, e este, da tristeza e do tédio.
31 Pensa que os outros são ou serão justos, e se não for assim, o erro não é teu.
32 Deus é mais generoso que os homens e os medirá com outra medida.
33 Dá o santo aos cães, deita as tuas pérolas aos porcos; o que importa é dar.
34 Procura pelo prazer de procurar, não pelo de encontrar...
39 A porta é que escolhe, não o homem.
40 Não julgues a árvore por seus frutos, nem o homem por suas obras; podem ser piores ou melhores.
41 Nada se constrói sobre a pedra e tudo sobre a areia, mas o nosso dever é construir como se a areia fosse pedra.
47 Feliz o pobre sem amargura ou o rico sem soberba.
48 Felizes os valentes, os que aceitam com ânimo similar a derrota ou as palmas.
49 Felizes os que guardam na memória palavras de Virgílio ou de Cristo, porque estas darão luz a seus dias.
50 Felizes os amados e os amantes e os que podem prescindir do amor.
51 Felizes os felizes.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

"Cerimônias do Silêncio" na imprensa

O lançamento do meu livro "Cerimônias do Silêncio" não está passando batido para a imprensa do nosso estado. Tenho marcado uma entrevista ao vivo com a jornalista Camila Olivo, no Estúdio 36, na TVCOM.
O editor e escritor Carlos Schroeder informa que já foi noticiado na Itapema FM e CBN Diário. Nos jornais estaduais de hoje:

No Diário Catarinense:
CONTRACAPA MARCOS ESPÍNDOLA
CERIMÔNIAS DO SILÊNCIO
O escritor argentino Gabriel Gómez lança hoje, na Capital, o primeiro volume da sua coleção Cerimônias do Silêncio. A partir das 19h, Gómez estará na Livro & Livros (Centro) para uma bate-papo e sessão de autógrafos.O encontro com o autor argentino faz parte de outro lançamento promovido pela Livros & Livros em parceria com a Design Editora, a Câmara-Verso Coleção de Poesia. A barbada é que na ocasião vocês poderão comprar livros de poesias com até 70% de desconto e distribuição gratuita de títulos da Design Editora.

Veja AQUI
No "A Notícia":
Bate-papo e lançamento de livro na Capital
O lançamento da coleção “Câmera-verso – Coleção de Poesias”, da Design Editora, terá distribuição de livros e sessão de autógrafo com os poetas Gabriel Gómez, Rubens da Cunha e Fernando José Karl. O evento ocorre hoje, das 18 às 20 horas, na livraria Livros & Livros, em Florianópolis.A obra do argentino Gabriel Gómez “Cerimônias do Silêncio” é o presente para quem conferir o lançamento. O poeta radicado no Brasil é um dos maiores colecionadores e pesquisadores do escritor Jorge Luis Borges. Além de autografar as publicações, Rubens da Cunha e Fernado José Karl também participam de um bate-papo sobre poesia. Quem for conferir o evento também poderá aproveitar o desconto de até 70% dado pela livraria nos títulos de poesia.
SERVIÇO
O QUÊ: lançamento da coleção de livros de poesias “Câmera-verso”.
QUANDO: hoje, das 18 às 20 horas.
ONDE: livraria Livros & Livros (rua Jerônimo Coelho, 215, Centro de Florianópolis).
QUANTO: entrada gratuita.

Veja AQUI

É hoje!


quarta-feira, 7 de abril de 2010

Sobre "Cerimônias do Silêncio"


"Este é um livro sobre silêncios. Mesmo que muitas palavras faltem e outras pareçam dissecadas, aprisionadas, evasivas, envoltas de mais silêncio. Difícil de ser alcançado. Para alguns, ausência de som; para outros, a arte de escutar o que não é dito. Prefiro a invisibilidade da palavra e sua nudez.
De forma parcial, conseguimos contemplar apenas seu eco, habitado de forma residual, inefável, interior, primordial. Todos eles convergem e se afundam em palavras que prescindem. De um silêncio vão a outro, ao acabamento da linguagem perfeita, reduzindo e dissolvendo para diferenciar sua voz. Seu ir e vir persegue o inominável. E o prolonga, alternadamente, de forma infinita. Somos o grande ouvido daquilo que se deixa ouvir. E nos interpela ou transpassa..."
Trecho da introdução do livro "Cerimônias do Silêncio".

É amanhã


"Llega un día en que la poesía se hace sin lenguaje, día en que se convocan los grandes y pequeños deseos diseminados en los versos, reunidos de súbito en dos ojos, los mismos que tanto alababa en la frenética ausencia de la página en blanco".
Alejandra Pizarnik
Fragmento de "Pequenos Poemas em Prosa".
Publicado em "La Nación", Buenos Aires (21 de março, 1965).

"Câmera-verso é uma coleção que procura a fotografia das palavras, a essência imagética. Para Blanchot, construir imagens é organizar as formas sob o fascínio, mas também pode ser uma maneira de restaurar o domínio da linguagem, pois "a imagem agora se deixa ouvir" como acredita Ludwig Zeller.
O poeta argentino Gabriel Gómez abre a coleção com seus paradoxos sobre o silêncio, e reconduz a conversa infinita sobre as palavras e seus reflexos, neste espelho de muitas faces que chamam de poesia.
"

Introdução do livro "Cerimônias do Silêncio". Lançamento: quinta-feira 8 de abril, na Livraria "Livros & Livros" - Florianópolis.

domingo, 4 de abril de 2010

Lançamento "Cerimônias do Silêncio"



Lançamento de coleção de poesias em Florianópolis agita quinta-feira

Na próxima quinta-feira, dia 8 de abril, entre 18h e 20h, a livraria Livros & Livros do centro de Florianópolis recebe um evento inusitado: o lançamento da Câmera-verso - Coleção de poesias, com uma programação para lá de diferente. O lançamento do primeiro livro da coleção, “Cerimônias do silêncio” (72 páginas), do poeta argentino Gabriel Gómez, será acompanhado da distribuição gratuita de livros da Design Editora e a Livraria Livros & Livros terá títulos de poesia com até 70% de desconto.

A parceria entre a Design Editora e a Livros & Livros quer trazer à tona a discussão do fazer poesia, em todas as suas etapas. Serão duas horas de pura poesia, e quem aparecer na livraria, além de pegar seu exemplar autografado, poderá bater um papo com Gabriel Gómez, argentino radicado no Brasil, e um dos maiores colecionadores e pesquisadores do escritor Jorge Luis Borges, tema que permeou seus dois primeiros livros: “A culpa é do livro” e “Borges e outras ficções”.

Para o editor executivo da Design Editora, o também escritor Carlos Henrique Schroeder, “o debute do Gabriel na poesia não poderia ser melhor, tem a complexidade de uma veterano e o vigor de um estreante, com uma poesia madura, marcada pelas elipses”.

Os poetas Rubens da Cunha e Fernando José Karl, assinam, respectivamente, orelhas e contra-capa do livro.

Este é um livro sobre silêncios e as diferentes formas de transcrevê-lo; desde o mais mudo e transparente até aquele contido pelo poema. De tanto lapidar a palavra e seu combate oculto, ele é o espelho do que me deixo fazer, do que me deixo dizer... Desejava um silêncio perfeito, por isso escrevo.”.
O autor não esconde o orgulho de ter sido escolhido para iniciar a Coleção: “fiquei muito feliz quando o Carlos me ligou, certa tarde, com a novidade, feliz mesmo”.
A Livros & Livros está localizada na rua Jerônimo Coelho, 215, centro, próxima ao BESC central, e mais informações podem ser obtidas pelo atendimento@designeditora.com.br .


Opiniões sobre a obra:

O tom da escrita de Gabriel Gómez é minimalista, quase um sussurro, uns cantares à meia-luz...” Escreve o poeta e colunista do Jornal A NOTÍCIA, Rubens da Cunha “Os poemas abordam a poesia, o amor, a existência, a morte e as suas cerimônias misteriosas e naturais com o silêncio. Trata-se daquela poesia que transita entre a delicadeza e o corte, mas que também revela a delicadeza do corte, a precisão aguda da palavra poética. Ao ler esse livro, o leitor se torna mais que um leitor: torna-se um partícipe dessa cerimônia...”.
A contra-capa foi realizada pelo escritor e ganhador por duas vezes do prêmio Cruz e Souza, o maior galardão da literatura catarinense, Fernando José Karl, que já no primeiro parágrafo, afirma: “Cada poema deste livro, pra lá de singular, denuncia que a alta árvore no ouvido cresce silenciosa. E que, por este motivo, para escutá-la, é preciso calar profundamente... Neste “Cerimônias do silêncio”, de Gabriel Gómez, a poesia é uma “linguaviagem”, sempre em direção a outro tempo e a outro lugar...”.
Em Rio do Sul será no dia 12 de maio, quarta-feira, na Fundação Cultural.

Obs: Gostaria de encontrar-me com tanta gente de Florianópolis e demais cidades (que só conheço por acompanhar os Blogs ou ter lido seu livro...) que seria injusto citar apenas alguns... Parte desta lista do convite fica a cargo da querida amiga Regina Carvalho... Viu, regininha?

Música para o domingo

Ainda que não seja o "verdadeiro " tango (percebam que para Hollywood tanto faz se é bandoneón ou acordeona), vale pela memorável cena de Al pacino... "Perfume de mulher".

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A boa vida segundo Hemingway


"Gosto de escrever em pé, para diminuir a velha barriga e porque se sente uma maior vitalidade quando se está apoiado sobre os pés. Alguma vez alguém já conseguiu aguentar dez round apoiado sobre a bunda? Escrevo descrições à mão, pois isso é mais difícil para mim, e você fica mais perto do papel quando está escrevendo à mão, mas uso a máquina de escrever para os diálogos porque as pessoas falam de maneira que uma máquina de escrever funciona."


"Quando você termina de escrever um livro, você está morto. Mas ninguém sabe que você está morto. Tudo o que eles enxergam é a irresponsabilidade que resulta da terrível responsabilidade de escrever."


"Durante toda minha vida, olhei para as palavras como se as estivesse vendo pela primeira vez."


Estas e outras observações fazem parte do livro "A boa vida segundo Hemingway", que seu amigo A. E. Hotchner, colecionou durante catorze anos viajando do lado do escritor. Difícil foi a escolha de algumas para ilustrar o universo deste livro... São experiências, anedotas e frases feitas no verso de caixa de fósforos, guardanapos e pedaços de papel, anotações de uma vida inteira. O livro também está ilustrado por diversas fotos que revelam a celebração exuberante de seu gênio notável e da aventura caótica de sua vida. Vale a pena...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Reportagem na Unidavi FM


Agradeço o convite para participar do programa cultural “Cata-vento” da Rádio Universitária "Unidavi FM", no espaço para a Associação de Escritores do Alto Vale. O mestre, jornalista e apresentador Aurélio D´Ávila foi generoso nas suas palavras sobre o lançamento do meu livro "Cerimônias do Silêncio".

Muito obrigado ao Assessor de imprensa da Associação, Jonas Felácio Jr. e a seu Presidente, Ivo Ferrari.

Sobre a arte do escritor, Eduardo Galeano


Eduardo Galeano

El mío ha sido un largo camino hacia el desnudamiento de la palabra: desde las primeras tentativas de escribir, cuando era jovencito en una prosa abigarrada, llena de palabras que hoy me dan vergüenza, hasta llegar a un lenguaje que yo quisiera que fuera cada vez más claro, sencillo, y por lo tanto más complejo, porque la sencillez es la hija de una complejidad de creación que no se nota ni tiene que notarse.
Uno siente primero que el trabajo intelectual consiste en hacer complejo lo simple, y después uno descubre que el trabajo intelectual consiste en hacer simple lo complejo. Y un caso de simplificación no es una tarea de embobamiento, no se trata de simplificar para rebajar de nivel intelectual, ni para negar la complejidad de la vida y de la literatura como expresión de la vida. Por el contrario, se trata de lograr un lenguaje que sea capaz de transmitir electricidad de vida suprimiendo todo lo que no sea digno de existencia.

Para mí siempre ha sido fundamental la lección del maestro Juan Carlos Onetti, un gran escritor uruguayo muerto hace poco, que me guió los primeros pasos.

Siempre me decía: "Vos acordate aquello que decían los chinos (yo creo que los chinos no decían eso, pero el viejo se lo había inventado para darle prestigio a lo que decía); las únicas palabras que merecen existir son las palabras mejores que el silencio". Entonces cuando escribo me voy preguntando: ¿estas palabras son mejores que el silencio?, ¿merecen existir realmente?

Hago una versión, dos o tres, quince, veinte versiones, cada vez más cortas, más apretadas: edición corregida y disminuida.

Inflación palabraria
El problema de la inflación monetaria en América Latina es muy grave, pero la inflación palabraria es tan grave como la monetaria o peor; hay un exceso de circulante atroz. Algunos países han tenido éxito en la lucha contra la inflación monetaria pero la inflación palabraria sigue ahí, tan campante. Lo que me gustaría, modestamente, es ayudar un poquito a esa lucha contra la inflación palabraria. O sea, poder ir desnudando el lenguaje. Es el resultado de un gran esfuerzo, y no concluido, porque nace cada vez: a mí me cuesta escribir ahora tanto como cuando tenía 15 ó 16 años y lloraba ante la hoja de papel en blanco porque no podía.

¿Función social?
La literatura tiene siempre una función, aunque no sepa que la tiene, y aunque no quiera tenerla. A mí me hacen gracia los escritores que dicen que la literatura no tiene ninguna función social. A partir del momento que alguien escribe y publica está realizando una función social, porque se publica para otros. Si no, es bastante simple: yo escribo en un sobre y lo mando a mi propia casa, pongo "Cartas de amor a mí mismo" y me emociono al recibirlas. Pero es un círculo masturbatorio (no quiero hablar mal de la masturbación, tiene sus ventajas, pero el amor es mejor porque se conoce gente, como decía el viejo chiste).

Es imposible imaginar una literatura que no cumpla una función social. A veces la cumple, y es jodido, en un sentido adormecedor, a veces es una literatura del fatalismo, de la resignación, que te invita a aceptar la realidad en lugar de cambiarla, pero a veces es una literatura reveladora, reveladora de las mil y una caras escondidas de una realidad que es siempre más deslumbrante de lo que uno suponía. Por otro lado me parece que lo de la literatura social es una redundancia porque toda literatura es social. Muchas veces una buena novela de amor es más reveladora y ayuda más a la gente a saber quién es, de dónde viene y a dónde puede llegar, que una mala novela de huelgas. No comparto el criterio de una literatura política que además, en general, es aburridísima.

fonte: ciudadseva.com/textos/teoria/opin/galeano.htm

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