Vamos desabitando paredes artificiais,
refúgios contra ataques, privacidades.
Vamos despovoando tipologias,
limitações, espaços íntimos, reservados.
Vamos movimentando vidraças, muros,
cortinas que afastam, mobiliários.
Vamos inabilitando quartos, terraços,
varandas, jardins ocultos, ocupados.
Vamos desertando territórios, paisagens,
cenários sólidos, lugares.
Vamos arrancando disfarces, anonimatos,
identidades.
Vamos abrindo chaves de portas,
cadeados, algemas das mãos.
Vamos soltando maçanetas, amarras,
cadarços de sapatos.
Vamos mudando para partir.