ESCRITOS DO GABRIEL

(Tentar que nossas palavras sejam, através de nós ou, quiçá, apesar de nós.
Meus textos, meus rascunhos com erros... )



"Então, um dia comecei a escrever, sem saber que estava me escravizando para o resto da vida a um senhor nobre, mas impiedoso. Quando Deus nos dá um dom, também dá um chicote – e esse chicote se destina exclusivamente à nossa autoflagelação."

Introdução do livro Música para Camaleões, de Truman Capote.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Cartas...


- Cartas... Cartas... Quase nem lembro qual foi a última que escrevi... Muito menos para quem... Viu que quase mais ninguém escreve cartas? Agora é mensagem no celular, no e-mail e nada de cartas... Não existe mais o antigo cheiro do perfume borrifado na folha, a letra borrada pela tinta ou aquela triste marca de lágrima caída sobre o papel. Você nem sabe que tipo de letra alguém possa ter... A essência da carta clássica morreu. Não lembro nem mesmo qual foi a última que recebi...
- Eu também não... Lembro sim a última vez que rasguei cartas... Parece haver um dia especial para rasgar certos papeis. Fazer a limpa, faxina geral de sentimentos na gaveta... A gente se sente um pouco mais leve... É como tirar algum peso de cima, esvaziar um pouco nossa bagagem de coisas que, às vezes sem saber, já não usaremos mais... E que faz mal acumular.
- Tem razão... Uma vez rasguei uma carta de amor de um fora que levei, e aconteceu um fato curioso... Depois de rasgada, alguns pedaços pareceram formar outra carta na mesa... Com palavras e frases que eu gostaria de ter lido dela. Apenas palavras boas. As piores, aquelas que falavam de ir embora, de dor, que já não queria mais nada, pareceram ficar de fora... No chão. Gostaria de ter lido aquela carta rasgada, que se formou de forma casual, e que ela nunca escreveu...
- Sei... Quando eu quero rir, leio minhas cartas de amor. Quando quero chorar, leio minhas cartas de amor... Não foi o poeta que disse que todas as cartas de amor são ridículas? Pois vivo escrevendo cartas que nunca mando...


Trecho do diálogo dos personagens da peça "Errante", uma homenagem ao livro, no retrato da solidão das pessoas... (deste servidor...)

7 comentários:

Í.ta** disse...

agora té escrevemos cartas por blogs, né mesmo? rsrs

grande abraço, gabriel!

Gabriel Gómez disse...

É mesmo... Verdadeiro prazer esse tipo de correspondência. Mas se por um lado escrevemos mais no atacado, mandamos menos no individual... Sei lá, sintoma de velhice... hehehe. Abraço!

Anônimo disse...

aquela noite horrível, me esfumei do local do crime, pelo mesmo lugar por onde entrei, descendo pelas escadas. Ninguém me viu. Nos dias seguintes, fui sabendo de tudo, e minha vida está acabada. Sou o pior lixo que paira sobre esta terra, nem urubu vai me querer. Não consigo mais dormir sem me embebedar até desmaiar. Há um ano que não trabalho nem descanso. Estou morto em vida. Não me entreguei, pois não acredito na justiça humana nem na divina. Acredito só no castigo em vida, no remorso doloroso da própria consciência. Além disto, acho que esses dois também devem ficar presos, pois não valem nada, e também pagariam do mesmo jeito, ou parecido, por serem cúmplices meus, caso eu aparecesse.
O Alexandre é tão burro, que acreditou que iam comprar a tese da terceira pessoa desconhecida, e que o inocentariam, na sentencia. Nunca contou de mim ao seu advogado defensor nem ao seu pai. Ele morre de medo da ira do seu pai, que o batia até de adulto.
A Anna Carolina, também não quis me incriminar, por medo do Alexandre, que não sabe de nosso caso, e por que está apaixonada por mim, desde dois anos antes destes fatos acontecerem. Eu a comia na cozinha do apartamento, acima da pia, em quanto os filhos dormiam no quarto. Ela disse para mim que nunca gozou com um homem como o fez comigo. Mandei e-mails apaixonados para ela, ao seu lap top que levou à prisão. Fazíamos sexo cibernético, quando eu estava quase completamente bêbado, nas minhas crises de culpa atroz. Não valho nada; menos que eles, o que é muito.
Tudo isto que conto para vocês é a verdade. Isto ficou até hoje, nesta caixa forte do Banco Itaú, com minhas instruções ao gerente, para ser aberta e divulgado seu conteúdo à imprensa, no dia 27 de Março de 2019, data até a qual paguei o aluguel da caixa.
Meu objetivo principal com este relato é mostrar aos idiotas carnificinentos que se apertavam na frente do Fórum, que são tão imbecis e injustos quanto os outros três protagonistas desta história sinistra, sem contar aos que não responderam na Justiça, mas mostraram suas misérias, os cúmplices legais das duas famílias. E que suas vidas são tão miseráveis e mesquinhas quanto as nossas.
Sei que não conseguirei ser um pouco feliz e tal vez nesta data já esteja morto, coisa que preferiria, a viver deste jeito. Peço desculpas a todos os que enganei e trai. Um rato só consegue ser rato.
Iago.

* Nelson Rodrigues.

Anônimo disse...

“Eu matei a Isabella Nardoni”
Fui eu sim. Os jurados entraram na minha. Esse era o desfecho que eu almejava. Vou explicar por que, para vocês, mas saberão meus motivos, só daqui a dez anos ( ou seja hoje), quando os dois condenados tenham saído com liberdade condicional ou com prisão sob regime aberto, se é que conseguem essa prerrogativa, com seu “bom” comportamento. Anna Carolina antes e Alexandre depois.
Ela parecerá ter uns 50 anos mal vividos, e não apenas 36. Estará acabada, com o olhar perdido num passado que não a deixa em paz. Será uma crente bobalhona e gorda, um pouco lésbica, mas não muito, por causa da culpa da religião que adotou.
Ele parecerá um viado “drag Queen”, sessentão e bicha porra louca, mas não um homem de 41 anos, que tivesse toda a vida pela frente. Estará obeso e barrigudo, desmunhecado e taciturno, quando não se exiba para os outros bichas.
A coitadinha da Isabella não tinha culpa nenhuma, em termos...Ela era um monstrinho também, à sua maneira de criança, com seu jeitinho de patricinha consentidinha e mimada, pelas duas famílias, dos lados do pai e da mãe. Ela se achava. Tinham passado para ela que era uma princesinha e ela adotou essa idéia e essa posse. Era esse tipo de criança insuportável que sempre quer ser o centro de atenção, esperneando e berrando quando não o consegue. Ela não era nada disso que esses idiotas torcendo pela condenação dos réus um pouco inocentes, achavam, e a mídia junto com eles a transformaram, semelhando uma Paquita Xuxenta. Ela não era um anjinho puro. Isso é mito popular, populista e bobalhão. O vulgo a transformou quase numa santa, e não me chamaria a atenção que logo, logo, apareça uma estátua, um busto ou sei lá o que, representando-a no seu túmulo, numa praça ou no jardim do prédio onde faleceu, pingando água dos olhos, e uma multidão rezando e chorando na frente, depositando flores e pedidos. “ Toda unanimidade é burra” *. Ela não era a vítima dos ciúmes da madrasta irada e injusta, que privilegiava aos seu filhos “naturais”. Ela era provocativa, quase uma ninfeta “Lolita”, e era também provocadora. Ela era cruel, como muitas crianças sabem ser. Ela debochava dos irmãos e os chamava de meio irmãos bobos, de feios e idiotas, quando não jogava os brinquedos deles pela janela, até colocarem a tela de proteção. Quando Ana Carolina pedia para falar baixo, por que eles tinham pego no sono, ela respondia gritando: “-Minha avó não me manda falar baixo !” “-Ela me diz que eu devo ser eu mesma, o tempo todo, e nunca aceitar nem obedecer ordens duma puta vadia que não é minha mãe !”. “-Minha mãe também me diz que eu não devo aceitar nada de você, nem do meu pai, pois vocês só querem me comprar com dinheiro, que nem é de vocês, mas sai do cu do pai do meu pai”. “-O pai da minha mãe, meu avó querido, diz que meu pai vai ser rico, se largar de você, que é uma megera que só quer o dinheiro do meu pai, e se voltar para minha mãe o terá. Ele diz que você torce para meu outro avó morrer logo, para vocês dois ficarem ricos e comprar um carro melhor e uma casa com piscina, e não morar mais nesse apartamento horroroso, sujo e bagunçado”. “ Eu amo meus avós e odeio você, que só me grita e me bate !”.

Anônimo disse...

Nesses chiliques, Isabela levava uns tapas sim; dos dois, da Anna Carolina e do Alexandre. Mais dele, que a odiava sem ser plenamente consciente disso. Odiava seu parecido físico com a mãe dela, sua ex esposa, outra falsa santinha.
O Alexandre sentia, quando a Isabella falava com seu jeitinho de criança, que estava escutando a voz da mãe dela, antes da separação:”-Você é um banana. Você não presta. Você é um filinho de papai que não tem vontade própria nem manda na sua vida. Seu pai manda em você e você aceita como criança pequena. Ele te dá só as migalhas para você comer como um pombinho. Ele te explora e te faz andar de carro velho, em quanto ele anda de carrão do ano. Você não é homem nem sabe agir como macho. Você é um pau mandado do seu pai. Nem seu pinto levanta como pau de homem. Você não me satisfaz por que você não tem colhões. Seu pais já me cantou e quando te contei, você não acreditou, me esbofeteou e me chamou de mentirosa, falsa e prostituta. Você me bateu e falou que a Isabella é filha de outro homem, e não sua, e que já lhe falaram isso e não a ama. Homem que bateu em mim, morreu para mim, não me toca mais, nem dorme mais comigo “.
Alexandre odiava às duas, a que matou e a que escapou por pouco.
Anna Carolina Jatobá, é outra pobre coitada, bonitinha, mas sem cérebro. Ela se encontrou de repente enfiada na cama do Alexandre, depois duma bebedeira onde não soube se explicar o que aconteceu. Ficou grávida dum homem que é muito ruim com mulher, sem sequer gostar dele nem namorar para gostar, ou não. Não teve opção, pois não sabe optar com consciência, é muito burra para isso. Embarrigou duas vezes, seguidinhas, sem ter tempo nem jogo de cintura para reagir ou escolher se queria mesmo, esse homem como marido e como pai dos seus filhos, sendo ele tão ruim na cama como fora dela; um amante insosso e incompetente e um homem violento, impulsivo, desajeitado e sem determinação própria. Não teve mais que o deslumbre da pobre segurança que viu como miragem, da fortuna do sogro. Não teve tempo de reagir e de escolher se queria ter que suportar essa pestinha da Isabela, aos finais de semana, quando poderia ainda lutar para recompor sua vidinha conjugal, conseguindo ensinar alguma coisa prazerosa ao bodoque do seu marido. A violência que o Alexandre desenvolvia com a Isabela, a assustava um pouco no começo, mas depois a foi encorajando para expandir e expressar a sua própria veia sádica. Gostou até. Descontou com a Isabela, suas próprias frustrações e vazio existencial, sua falta de dinheiro, de realizações, e da sua mesquinha vida. Chantageou à criança, ameaçando-a permanentemente com punições desproporcionais ao grau de mal criação da menina. Com castigos infernais, promessas assustadoras de fantasmas e demônios, tanto como ameaças de torturas inacabáveis, caso contasse algo à sua mãe e aos seus avos, pais da mãe dela. Finalmente, numa tarde de ira irracional, ante um chilique da menina, a quase matou, esganado-a, e seu cúmplice completou a faxina com a minha assistência solapada e sigilosa.

Anônimo disse...

O idiota do Alexandre quis acobertar à sua mulher, achando que Isabela já estava morta, se embasbacou por completo. Achou que sua segunda mulher, tiranizada, que aturava sua ejaculação precoce sem reclamar, e até agradecia quando ele virava as costas e dormia, que aceitava sua violência e seus tapas sem piscar ou se defender, tinha assassinado à menina, que nem era sua, na sua infra dotada cabeça, e ia perder sua segunda vítima conjugal para sempre. Sua reação foi imediatista e afobada. Quis salvar a barra da sua camisinha humana; da Anna Carolina. Mandou todo mundo sair do carro. Subiram no apartamento, e o demais é historia.
Não é a verdadeira hitória ! Eu, e não o Alexandre, joguei a Isabela pela janela.
Quem sou eu ? Sou o Iago, amigo do Alexandre, amante de Anna Carolina Jatobá e de Ana Carolina de Oliveira. De cada uma delas fui amante em diferentes períodos. Eu apresentei as duas para o Alexandre, por que ele não sabe abordar a uma mulher.
No dia do crime, o Alexandre estava com meu celular no seu bolso, pois a gente se encontrou por acaso, no dia anterior, no Shopping, onde conversamos brevemente na loja de aluguel de filmes, os dois apoiamos os telefones sobre o balcão e ele, antes de irmos embora, guardou o dele no bolso, mecanicamente, sem prestar atenção, e depois, achando que o meu, da mesma marca, era o dele, o guardou também. Essa noite me ligou ao meu telefone fixo, me avisando do engano e dizendo que podia passar na casa dele para pegar, ou ele me levaria. Não deu tempo.
No dia seguinte, no momento em que aconteceu a esganadura da Isabella, ele me ligou assustado ao meu fixo, usando meu celular, que ainda estava no seu bolso. Por isso a Polícia não registrou essa ligação. Me contou o que tinha acontecido, chorando e soluçando estarrecido de pânico. Eu lhe disse que ia para lá de imediato. Moro a dois quarteirões de distância do apartamento deles. Sai correndo e cheguei em poucos minutos. Entrei pela obra abandonada ao lado do prédio, para não dar bandeira na portaria do edifício.
Ajudei a limpar tudo, bolei e expliquei meu plano a eles dois, e mandei fazer as ligações já conhecidas, que aparecem nos laudos. Joguei a Isabella pela janela, convicto eu também que já estava morta e com o meu coração desgarrado, pois sou o pai biológico dela, como a Justiça poderá comprovar, ao abrir esta carta com um simples exame de DNA.
(Já confessei isso para o Alexandre, na prisão, antes do julgamento. Ele entendeu e não se chateou, segundo eu acho. O cara já estava quebrado ). Quando acabei com a defenestração,

Anônimo disse...

Quando acabei com a defenestração, aquela noite horrível, me esfumei do local do crime, pelo mesmo lugar por onde entrei, descendo pelas escadas. Ninguém me viu. Nos dias seguintes, fui sabendo de tudo, e minha vida está acabada. Sou o pior lixo que paira sobre esta terra, nem urubu vai me querer. Não consigo mais dormir sem me embebedar até desmaiar. Há um ano que não trabalho nem descanso. Estou morto em vida. Não me entreguei, pois não acredito na justiça humana nem na divina. Acredito só no castigo em vida, no remorso doloroso da própria consciência. Além disto, acho que esses dois também devem ficar presos, pois não valem nada, e também pagariam do mesmo jeito, ou parecido, por serem cúmplices meus, caso eu aparecesse.
O Alexandre é tão burro, que acreditou que iam comprar a tese da terceira pessoa desconhecida, e que o inocentariam, na sentencia. Nunca contou de mim ao seu advogado defensor nem ao seu pai. Ele morre de medo da ira do seu pai, que o batia até de adulto.
A Anna Carolina, também não quis me incriminar, por medo do Alexandre, que não sabe de nosso caso, e por que está apaixonada por mim, desde dois anos antes destes fatos acontecerem. Eu a comia na cozinha do apartamento, acima da pia, em quanto os filhos dormiam no quarto. Ela disse para mim que nunca gozou com um homem como o fez comigo. Mandei e-mails apaixonados para ela, ao seu lap top que levou à prisão. Fazíamos sexo cibernético, quando eu estava quase completamente bêbado, nas minhas crises de culpa atroz. Não valho nada; menos que eles, o que é muito.
Tudo isto que conto para vocês é a verdade. Isto ficou até hoje, nesta caixa forte do Banco Itaú, com minhas instruções ao gerente, para ser aberta e divulgado seu conteúdo à imprensa, no dia 27 de Março de 2019, data até a qual paguei o aluguel da caixa.
Meu objetivo principal com este relato é mostrar aos idiotas carnificinentos que se apertavam na frente do Fórum, que são tão imbecis e injustos quanto os outros três protagonistas desta história sinistra, sem contar aos que não responderam na Justiça, mas mostraram suas misérias, os cúmplices legais das duas famílias. E que suas vidas são tão miseráveis e mesquinhas quanto as nossas.
Sei que não conseguirei ser um pouco feliz e tal vez nesta data já esteja morto, coisa que preferiria, a viver deste jeito. Peço desculpas a todos os que enganei e trai. Um rato só consegue ser rato.
Iago.

* Nelson Rodrigues.

Jaez Jarbas
27/03/210.

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