ESCRITOS DO GABRIEL

(Tentar que nossas palavras sejam, através de nós ou, quiçá, apesar de nós.
Meus textos, meus rascunhos com erros... )



"Então, um dia comecei a escrever, sem saber que estava me escravizando para o resto da vida a um senhor nobre, mas impiedoso. Quando Deus nos dá um dom, também dá um chicote – e esse chicote se destina exclusivamente à nossa autoflagelação."

Introdução do livro Música para Camaleões, de Truman Capote.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Letra de tango de música inexistente

Cansei do teu corpo
que passa e nunca chega.
De palavras
esperando um osso,
de trocar esta espera
de cadeira em cadeira,
que o castelo de areia
seja apenas pra mim.

Cansei, cansei.

Já sei, hoje a língua te fere,
prova um pouco da febre,
finge a dor da tua voz.
Dança como sempre,
acena que já passou,
canta e celebra o fim,
canta como se fosse importante,
cantar por mim.

Cansei, cansei.

Cansei do teu corpo
de faca que já não corta.
Da opção B
do teu pouco,
de tantas despedidas,
de vinagre nas feridas,
de jogar esta partida
que, sabes, já perdi.

Cansei, cansei.

4 comentários:

Cassandra disse...

Palavras vestidas de melodia. Talvez o tango seja sentimento que transborda em harmonia...
Por outro lado, como disse o 'Mestre',
“O passado é indestrutível, cedo ou tarde, todas as coisas voltam, e uma das coisas que volta é o projeto de abolir o passado”

Beijo.

Gabriel Gómez disse...

Pois é... Borges não gostava do pensamento que o tango é um sentimento que se dança... Nem das letras que apenas se queixam... (que nem esta...). Deve ser por isso que escreveu letras de milongas que falam de antigos personagens de Buenos Aires.
Teus comentários sempre somam...
Beijo!

Colecionadora de Silêncios disse...

Que poema lindo!

Um tango em poesia, sem dúvida! Pela dor, pelo sentimento latente, pelo tom de saudade e pelo ritmo intenso... nossa! Maravilhoso mesmo!

Um grande abraço! :)

Gabriel Gómez disse...

Patrícia... Estava na dúvida de colocar a letra ou não... Tem coisas que escrevemos e ficam apenas para nós, não é mesmo? Não porque retrate nada, apenas pelo respeito que tenho a este tipo de letra e estilo, tão bem representado em tantas e tantas obras primas...
Tuas palavras sempre chegam com carinho e voltam com minha gratidão.
Obrigado sempre.
Abraço grande também.

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