ESCRITOS DO GABRIEL

(Tentar que nossas palavras sejam, através de nós ou, quiçá, apesar de nós.
Meus textos, meus rascunhos com erros... )



"Então, um dia comecei a escrever, sem saber que estava me escravizando para o resto da vida a um senhor nobre, mas impiedoso. Quando Deus nos dá um dom, também dá um chicote – e esse chicote se destina exclusivamente à nossa autoflagelação."

Introdução do livro Música para Camaleões, de Truman Capote.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Nosso imortal: Flávio José Cardozo


Uma semana antes da Feira do livro, me ligam da Unimed – Rio do Sul:
- Gabriel, o escritor Flávio José Cardozo vem para um encontro e homenagem com alunos da rede estadual, gostaríamos também da tua presença...
Claro que aceitei e estava no outro dia, bem cedinho, na sede onde tinham preparado o palco para sua conversa e algumas apresentações recriando alguns dos seus contos...
Nosso encontro foi muito agradável e de muita conversa. Meu nome, ele já conhecia pela nossa amiga em comum: a escritora e professora da UFSC, Regina Carvalho. O seu, eu também conhecia pela leitura de alguns textos e pelas inúmeras histórias da Regininha que sempre comentava do seu “compadre” Flávio... Aliás, quem não conhece este querido autor catarinense?
O nosso imortal, cadeira 23 da Academia Catarinense de Letras, que no seu discurso de posse tinha citado o escritor argentino Ernesto Sábato, não poderia imaginar, mesmo com tantas ficções na sua literatura, que outro argentino atravessaria no seu caminho tempo depois...
Flávio conquistou o público presente e a este humilde escritor... Almoçamos juntos, rimos juntos, falamos de Borges (de sua passagem como tradutor do escritor argentino para a editora Globo) de histórias literárias e das outras... Assinei orgulhoso meu “Borges e outras ficções” e despedimos-nos com a promessa de marcar novos encontros...
Logo, logo recebo um e-mail da Regininha: “Só pra ficares mais besta ainda, hehehehe”, e junto com este sarcástico comentário, um trecho do e-mail do Flávio: “Comadre, parabéns! Sim, comadre, parabéns pelos amigos que tens. Volto de Rio do Sul (onde fui conversar com estudantes no projeto Encontro Marcado / Unimed) muito contente por ter conhecido o Gabriel Gómez...”.
Fiquei realmente tal como ela tinha previsto. Respondi que aquele encontro ilustrava muito bem o ditado que sentencia que os amigos dos meus amigos, também são meus... Fiquei também sabendo que um outro e-mail, do mesmo teor, foi encaminhado para o escritor e editor, Carlos Schroeder.
Ao outro dia Flávio também me escreveu e completou aquele “estado” que a Regininha tinha retratado:
“...ainda sob os efeitos da ótima experiência em Rio do Sul, quando estudantes, professores e o pessoal da Unimed me acolheram com uma simpatia pra lá de generosa, venho agradecer de uma forma especial a tua disponibilidade comigo, possibilitando um bate-papo do qual vou guardar a melhor lembrança. Certamente teríamos muito a conversar (e a rir) se o tempo fosse maior. Não vai faltar oportunidade para a continuação do diálogo. Mandei ao Schroeder e à Regininha os meus parabéns pela qualidade do amigo que eles têm aí. À tarde, sigo para Tubarão (e depois para Criciúma), cumprindo mais uma etapa do Encontro Marcado. Botei na mala as tuas aproximações de Borges. Abri os Escritos do Gabriel e gostei. Tem a substância que eu bem previa...”.
O que responder? Como ficar? Como agradecer? Bom, tentei no e-mail. Não sei se consegui...
Neste sábado, quando abri minha caixa postal, a grata surpresa de uma nova mensagem do nosso imortal... Li num dos seus trechos:
“...escrevo para dizer que a leitura do livro que gentilmente me deste ("um pouco de Borges, que tanto já fez por nós dois", botaste na dedicatória) me deu um grande prazer. Eu sabia que ia dar um grande prazer, pois confiava nos que falam bem da tua imaginação e da tua linguagem. Há momentos na leitura que ressalto especialmente - "Erótico", "Buenos Aires (Goofus Bird)", "Premonição", o triste "Desaparecido", sem falar, é claro, no ensaio "Escritor apócrifo de leitores reais". E há outros mais, como o poema "Infidelidade", as "10 pequenas ficções"... É muito bom ler quem sabe inventar e dizer e tem na cabeça uma cultura literária que refina a obra e, sem exibicionismo, é sempre reveladora...”
Claro que sua generosidade falou mais alto e eu agradeci por isso...
E assim como respondi, estou feliz, é isso é um estado de ânimo (não sinto vergonha de dizer), proporcionado por surpresas como esta.
Muito obrigado Flávio!
Espero continuar correspondendo... Espero que nossa amizade cresça... E que nós, por cima de todas as coisas, cresçamos juntos com ela.

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O Escritor FLÁVIO JOSÉ CARDOZO
Nasceu em Lauro Müller, SC, aos 2 de novembro de 1938. Jornalista. Professor. Funcionário Público. Escritor. Pertence à Academia Catarinense de Letras e a várias outras instituições culturais do estado e do país.
Projetou-se, inicialmente, com livros de contos: Singradura (1970, 2 ed. 2002); Zélica e Outros (1978. 2 ed. 2001); Longínquas Baleias (1986). A partir do final da década de 1970 passou a escrever crônicas, quase diariamente, tornando-se o número 1 da crônica no Estado. Muitas delas estão reunidas em livros: Água do Pote (1982); Beco da Lamparina (1987); Tiroteio Depois do Filme (1980): Senhora do Meu Desterro (1991); Trololó para Flauta e Cavaquinho (1999); Uns Papéis que Vvoam (2003).
Incursionou pela literatura infanto-juvenil com O Tesouro da Serra do Bem-bem (2004) e, finalmente, retornou à terra e época em que nasceu, para retratar os mineiros do carvão nas narrativas – romance aberto – Guatá (2005). Publicou ainda Sobre Sete Viventes (1985).

3 comentários:

Í.ta** disse...

ô que história boa essa, gabriel!

abraços!

Regina Carvalho disse...

Puxa, obrigadinha por me dar algum mérito, hehehe...
bj

Gabriel Gómez disse...

Regininhs... Todo o mérito é teu... bJ.
Abraço Ítalo

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